segunda-feira, 21 de maio de 2012

[Luísa]

Guardada nas minhas próprias entranhas, ela queria liberdade há tempos, pobrezinha.

Ressuscitei Luísa:

http://confissoes-de-luisa.blogspot.com.br/


segunda-feira, 14 de maio de 2012

[Reclamações]

Estive pensando que talvez as pessoas tenham razão quando dizem que não entendem o porquê de eu reclamar tanto e ainda querer mais coisas da vida. Acho que elas estão certas. Não tenho motivos para reclamar. Não quando:

 a) Recebo correspondências. Quer coisa mais triste do que, em tempos de internet, não receber nenhuma cartinha? Eu recebo. O fato de que sou uma das poucas que recebem cartas me deixa um pouco constrangida, preciso confessar. Principalmente quando sei que frustrei esperanças. Posso até ver a cena: nota baixa-mãe-filho-verbo descascar. Será que vou parar de receber cartas? Isto não pode acontecer. O que seria de mim sem estas cartas, não é verdade?


b) Sou amada. Cara, sou muito amada. Jesus me ama. Sabe o que isso significa? Sabe o que é uma adolescente escrever isto naqueles minutos em que, sei lá, poderia estar... fazendo uma avaliação para nota? Olha, já andei ouvindo por aí que Jesus ama muita gente, mas agora sei que também estou no meio, faço parte do amplo grupo de pessoas amadas por Jesus e não há porque me sentir excluída - o que mais eu poderia querer da vida, me fala? 


[De fato, não dá para entender por que reclamo da vida. Agora estou entendendo tudo. Nem sei como agradecer...]

quinta-feira, 3 de maio de 2012

[Pistas]

Fizeram uma parceria com um órgão governamental lá no trabalho. Dentre os vários projetos que estão sendo desenvolvidos, está a oferta de alguns cursos como, por exemplo, o de fotografia.

[Já dá para supor onde este post vai chegar? Ainda não? Ok. Continuarei]

Como algumas coisas fogem ao nosso controle só pelo simples gostinho de nos deixarem com aquela sensação de que somos seres inadequados em determinados momentos da vida, fui a penúltima a saber sobre uma votação popular que durou nada mais nada menos do que q.u.a.t.r.o dias.

[Consegue imaginar onde vou chegar com este post agora? Precisa de mais pistas? Vamos lá, então]

Onde eu estava nos tais quatro dias - alguém deve estar se perguntando. Queria muito dizer que estava fazendo sexo selvagem sem parar com um macho alfa que sabe me comer como ninguém mas, olha, a verdade é que eu estava trabalhando, puxa vida. Se existe alguma coisa que 2012 já me deixou como lição é o fato de que, se acumulo funções, respeito aquela máxima que diz que não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo e desconheço o teletransporte, haverá coisas que serei a última a saber. Ou penúltima. 

Queria, inclusive, deixar registrado o meu pedido de desculpas por, inadequadamente, ter perguntado que diabos de votação era aquela que havia acontecido enquanto eu estava a) onde Judas perdeu as botas, resolvendo problemas de verbas, b) fazendo uma reunião extraordinária com funcionários de outro setor e c) participando de um seminário como representante oficial do trabalho. Totalmente absurdo o meu questionamento, vamos combinar, né?

[E agora? Deu para decifrar o final do post? Está ficando fácil, hein?]

As pessoas não sabiam que eu não sabia e, num ataque de loucura coletivo, me disseram para deixar de falsa modéstia, me deram parabéns e me desejaram sorte.

[Muito bem, agora todo mundo já sabe onde isso aqui vai dar]

Venci uma votação da qual nem sabia que estava participando. Brevemente estarei sendo fotografada, durante dois dias, por uma equipe profissional e seus estagiários-assistentes - meus subordinados, que é para a situação ficar o mais constrangedora possível -, em alguns pontos históricos da cidade, previamente selecionados pela minha pessoa. Não sei quantas caras e bocas terei que fazer, nem tampouco as roupas que vou usar. Em compensação, estou sabendo que terei o direito de possuir uma cópia do making off, veja que coisa fantástica!

Ah, sim. Parece que estão colocando a maior fé em algum tipo de poder de convencimento que possuem, de modo que acham que vão conseguir me convencer a liberar uma foto ou outra para estampar um outdoor da cidade. Coisa básica. Coisa discreta. A minha cara, hein?

[Imagine, [P], a Playboy é o limite, menina!, já me disseram. Aham. Eu sempre quis mesmo um caminho fácil que me levasse ao estrelato instantâneo. Meu sonho de criança era crescer e estampar uma capa de revista masculina para depois, no meu trabalho, discutirmos as posições que tive que fazer na hora de fotografar. Eu sempre quis ter tudo de maneira fácil, sempre fui fácil, sou uma facilitadora em potencial. É meu talento. Taí minha vida amorosa que não me deixa mentir, né?]

sábado, 28 de abril de 2012

[Jardim Botânico]



















[Dá para entender porque o lugar era um dos preferidos para servir de inspiração a Tom Jobim. Eu sentei num banco, tirei meu caderno de textos que nunca serão publicados da bolsa e escrevi três, de uma só vez]

sábado, 21 de abril de 2012

[Classificados]


de: Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx@gmail.com
para: P
data: 20 de abril de 2012 11:55
assunto: Plantão de dúvidas
enviado por: gmail.com





P,
Encaminhei o email da Xxxxxxxxx para Xxxxxx e Xxxxxxx, que trabalham na segunda-feira.
Estive nas turmas do 2º e 3º ano e conversei com eles, entregando o material e avisando do plantão na próxima terça.
Os alunos ficaram eufóricos quando falei no seu nome! Você é muito querida por todos eles! Estão ansiosos.
Abraços,
Xxxxxxxxx

[Troco um eu te amo falsificado por duas salas, ambas em ótimo estado, uma com trinta e seis pessoas, outra com trinta e oito, todas eufóricas, repletas de ansiedade e, acima de tudo, capazes de me olharem nos olhos e demonstrarem que, sim, existem maneiras sublimes de se mostrar o que é, de fato, gostar de alguém]




























segunda-feira, 16 de abril de 2012

[Submersa]

É isto que eu faço no meu tempo livre:


[Eu me afogo]

quinta-feira, 12 de abril de 2012

[Paz]

Eu ia escrever um monte de clichês na página em branco. Escrevi, apaguei, escrevi, apaguei, escrevi e apaguei várias vezes. O que ficou de tudo o que aconteceu nos últimos dias é esta sensação de paz. Ela está aqui, agora, enquanto escrevo estas linhas que, desta vez, não serão apagadas.

Quando alguém faz uma coisa muito, muito ruim com você, uma coisa que te deixa meio sem chão, por ser algo que até imaginava que um lixo pudesse ser capaz de fazer, mas se recusava a pensar nesta possibilidade, entende? Então. Quando isso acontece, é hora de dar uns passos para trás nas lembranças guardadas na memória. Dei meus passos para trás, voltei àquele ponto em que eu tinha a serenidade nas minhas mãos e os lençóis amassados cobrindo meu corpo. Precisei deixar que um monte de nada em forma de ser humano me ferisse para que, toda aberta e sangrando pelos cantos, conseguisse enxergar minha parcela de responsabilidade, perdoar e pedir perdão a quem, lá atrás, eu estava devendo estas coisas.

A paz, colega.