quinta-feira, 2 de agosto de 2012

[Egoísta]

Às vezes tenho vontade de juntar todas as frases - inteiras, soltas, encaixadas, inacabadas, simples, bobas, sérias ou indecentes - que ele me deixa e escrever um texto só com elas, cheio de nós dois.

[É uma vontade que aparece só às vezes. No fundo, não quero dividir o doce com o mundo. Quero inteiro, só para mim]

segunda-feira, 30 de julho de 2012

[Férias]

Não pode ter pressa. Nem pensar em dieta. Não dá para andar de salto. Mas dá para usar shortinho nos dias ensolarados. Não pode tirar fotografia da igreja mais rica do Brasil - aquela dos quatrocentos quilos de ouro. Não pode sentar no primeiro vagão da Maria Fumaça. Nem rir do sotaque deles. Eles também não deviam rir do meu. Não é aconselhável gritar ao fazer rapel. A água da cachoeira vai estar gelada demais. Não pode dizer que não dá vontade de ir embora. Porque serão convincentes o bastante para fazer com que a estadia se prolongue por mais um dia.


















































[Tiradentes & São João Del Rei, Minas Gerais/Julho de 2012]

segunda-feira, 16 de julho de 2012

[Babaca]

Ei, homem, vem cá. Quero falar com você.

Não com você, Homem maiúsculo, Homem de verdade, Homem que sabe fazer com que uma mulher se sinta única, Homem com pegada e, ao mesmo tempo, Homem que sabe tratar uma mulher com doçura, ainda que envolto no sal dos corpos suados. Não é com você que quero falar, Homem discreto e, por isso mesmo, instigante. Homem que sabe dizer tanto com poucas palavras, Homem que não precisa de uma verborragia escandalosa para fazer uma mulher tremer, Homem que, tenho certeza, deve ser o primeiro e o último pensamento de muitas sonhadoras por aí, também não quero falar com você.

É com você, Homem-Babaca, que quero conversar.

Especificamente com você, Homem-Babaca detentor de uma pobreza de imaginação ímpar - sim, porque só isso justifica a intrigante repetição de atitudes que você tem aqui, ali, lá e acolá. Se não consegue variar sua tática para aproximar-se de mulheres absurdamente opostas, você é um Homem-Babaca, lamento informar. Não quero acreditar que seja preguiçoso porque, sabe, Homem-Babaca, eu tenho preguiça de vez em quando e é bem diferente disso que você faz. Isso aí, de atirar para todos os lados com o mesmo punhado de munição em forma de versos soltos e rimas que nem sempre são rimas mas que rimam perfeitamente com sua intenção milimetricamente calculada em decassílabos que, quem sabe, fisgarão a Babaca da vez. Conheci três iguais a você, Homem-Babaca. Há uma proliferação de Homens-Babacas nesse mundo virtual, sabia? Vocês não são especiais. Eles não eram. Você também não é. Não se iluda, Homem-Babaca. Talvez você devesse juntar suas palavras, suas canções e suas bulas de remédios para dias ruins num livro dedicado às babacas de plantão. Ganhar dinheiro com sua babaquice, Homem-Babaca, sabe como?

[Porque uma Mulher, uma maiúscula, de verdade, que não suspire a cada linha já tantas vezes repetida... uma assim você não faz a menor ideia de como ganhar]

sexta-feira, 13 de julho de 2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

[Meu Mundo]

Vivo num mundo onde a bigamia é proibida as pessoas acreditam quando digo que, em virtude dos últimos acontecimentos, meu casamento na roça com o colega fuck me please do trabalho não passará de encenação e que, por isso, estarei rifando meu marido par, logo depois da festa. Neste mundo onde vivo, as pessoas costumam me levar muito a sério: tão logo anunciei a brincadeira, a mulherada entrou em polvorosa e, na tarde seguinte, apareceram os t.a.l.õ.e.s da suposta rifa. Tá? Aqui no meu mundo, as mulheres têm muitos pinos frouxos dentro das suas cabecinhas uma imaginação super fértil e, alegando que poderíamos fazer alguma coisa para que o nosso mundo seja um lugar cada vez mais maluco melhor para se viver, pensaram em investir o dinheiro arrecadado às custas da gostosura do colega da Matemática numa ação social que ajude ao próximo, àquele próximo tão necessitado de razão quanto elas, ou de coerência quanto eu - já que, né?, estou achando muita graça na coisa toda.

[Este é o meu mundo. Desculpa, sociedade]

sexta-feira, 29 de junho de 2012

[R]

Das ironias da vida.

Muitas reuniões de Centro Acadêmico, um Congresso da UNE, alguns Encontros Nacionais de Estudantes, vários debates, um monte de palestras e um coração partido repetidas vezes depois, eis que descubro que tudo caminhava, enfim, para que eu retornasse a um banco de cimento de uma universidade estadual e, em meio a palavras de ordem e gritos de protesto, sem esperar por absolutamente nada e totalmente distraída, conhecesse alguém que, sinceramente, não me interessa se é o certo ou mais um errado - mas que é, no momento, o que de melhor eu conseguiria pedir para mim.

[Se eu soubesse que qualquer pessoa que não compartilhasse uns palavrões numa passeata comigo era uma furada e que devia focar na minha própria categoria eu já teria feito isso, né, Murphy?]

terça-feira, 19 de junho de 2012

[O Casamento]

Conforme acontece em todo santo ano, já começaram os preparativos para a tão aguardada festa julina do trabalho. Depois de encarnar a ladra do noivo no último evento, agarrei com espartilho e cinta liga unhas e dentes a oportunidade de organizar a coisa toda este ano, com o único propósito de nomear a minha pessoa como a noiva da festa - abolindo qualquer possilidade de haver uma amante na história, claro.

E daí que agora acumulo mais funções do que já venho acumulando ao longo deste ano? E daí que tenho que ir de loja em loja procurando os enfeites de festa junina mais sensuais bonitos que já tenham sido fabricados? E daí que perdi uma noite inteira de sono preparando uma escala que inclui desde as barracas até as músicas que vão tocar na tão fatídica ocasião? E daí que já troquei meu vestido de noiva t.r.ê.s vezes, enlouquecendo a costureira? E daí, minha gente? E daí que eu me multiplico em várias de mim tudo descompensadamente, lógico e, sem querer, pergunto no meio de uma assembleia da categoria, lotada, se já designei quem irá ficar na barraca do beijo? E daí que está faltando pertinência nas minhas colocações? E daí?

Nada mais importa, além do fato de que, naquele momento constrangedor em que os pares da quadrilha foram formados, agarrei o nome de Gostoso da Matemática como se não houvesse amanhã, colei ao lado do meu e transformei o dito cujo no meu noivo. Tudo muito simples. Bastou dizer ele é meu e pronto é o noivo ideal, vocês não acham? e ninguém se manifestou contrariamente ao matrimônio.

[Como todo mundo pode supor, estou bem. Estou bancando a noiva coerente. Estou pensando em chamá-lo para escolher as alianças tranquila. Estou planejando a nossa viagem de lua de mel para julho equilibrada. Estou super zen. Estou centrada. Estou, sim]