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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

[P]

Presente do último dia quinze:


Estou confusa. O que isto significa? 

a) (   ) Descobriram que publico textos assinados com um [P]? 

b) (   ) Virei um [P] ambulante? 

c) (   ) A dona do [P] incorporou o [P] do blog? 

d) (   ) A [P] do blog saiu do virtual e anda acenando descompensadamente para as pessoas ao seu redor? 

e) (   ) Todas as alternativas anteriores? 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

[Das Coisas Valiosas Da Vida]

de: Xxxxx Xxxxxx xxxxxxxxxxx@terra.com.br
para: "P."
data: 14 de agosto de 2012 13:31
assunto: coisas para ler

Tá moça, eu ainda prefiro os seus, mais ácidos, contundentes, com humor sutil, mas confesso que li esse e me lembrei de você. Achei pesquisando fotos no Google. Não estou te traindo, só ando sem tempo, e o que sobra vai pro Facebook.

Beijo, moça
Xxxxx

***

[Só eu fico felizinha com pequenos gestos assim?]

domingo, 11 de dezembro de 2011

[Fome]

de: Grâ 
para: "[P] G!"
data: 5 de dezembro de 2011 12:43
assunto: Fome

fome
[Do lat. fame.]
Substantivo feminino
1. Grande apetite; urgência de alimento.
2. Subalimentação (1).
3. Falta do necessário; penúria, miséria.
4. Situação de míngua ou escassez de víveres.

Não poderia dizer que tudo o que já perdi não me assombra, normalmente à noite, sempre no frio.
Não poderia não compartilhar de sua dor, já que ainda me ressinto de passos que se afastam, olhares que desviam, palavras que não voltam.
Não te deixaria sozinha, na vastidão do mundo das oportunidades derramadas. Mas sabe, algumas coisas inexistem na ausência de um outro, elas pré-requerem um cúmplice e somem na presença dos farsantes, não sendo nunca afetadas, nunca feridas - inocência, confiança, crença, esperança -, nunca são perdidas; o que se fere, afeta e se perde é a coragem.

Quanto à fome... tenho fome de tudo, a começar por "meninas-espirituosas".

[Dele]

terça-feira, 29 de novembro de 2011

["Todas Elas Juntas Num Só Ser"]

Tínhamos programado uma festa de despedida com toda a turma, antes que a galera começasse a debandar depois da entrega dos resultados. Despedida da turma - no seu último ano - entre si e minha despedida deles. Na verdade, a ideia da festa surgiu lá nos idos de agosto e ficou adormecida por meses, até que fui informada - apenas isto, apenas informada - sobre dia e hora de sua realização há pouco tempo.

Não pensei muito nas consequências de uma festa particular, somente nossa, porque se tratava de gente com quem convivi por pelo menos três anos, gente madura, gente sensata, gente bacana, gente bem humorada, gente entendedora de limites, enfim, de gente que está com um pé na universidade e, poxa, eu também queria uma despedida para guardar de recordação.

Tudo transcorria muito bem, até que uma mocinha começou a relembrar certos momentos que passamos juntos. Buscou do fundo do seu útero uma ocasião em que, logo no começo do ano, conversamos sobre nossos medos, nossos sonhos, nossos desafios, nossas preferências. Para minha surpresa, ela pegou uma folha e saiu perguntando a todos - sentados ao meu redor - se estavam lembrados das respostas que haviam dado no quesito "uma música". Todos acertaram, lógico. Indignada e me sentindo excluída do negócio, questionei se não tinham esquecido de mim, pois eu havia participado da dinâmica junto com eles. Eles riram. Veja só: eles não só riram, como duvidaram que eu fosse capaz de lembrar minha própria resposta! Audácia, é o nome disso. Eu? Esta pessoa dona de uma memória desgraçadamente congestionada de coisas que gostaria de esquecer? Não lembrar de uma resposta dada em fevereiro? 

- Vamos, [P], não precisa ficar constrangida, nós vamos te ajudar a lembrar - disse um menino, enquanto um violão surgia do nada - para mim foi do além, sim - e todos se colocavam no que parecia ser uma posição ensaiada, na minha frente. 

E aí, cara, eu chorei. Chorei antes que eles abrissem a boca e começassem a cantar. Chorei porque em fevereiro eu havia dito que, se um dia alguém cantasse aquela música para mim, eu teria um orgasmo sentimental. Chorei porque decoraram. Chorei porque haviam ensaiado. Chorei pensando no tempo que levaram para se reunirem. Chorei pensando em quantos beijos deixaram de dar porque estavam ensaiando uma canção para mim. Chorei porque a manhã estava linda e meu coração é de manteiga. Chorei porque, meu deus do céu, muitos estavam chorando também. Chorei porque, na verdade, eu queria ter mais chances de poder chorar junto com eles, mas aquela era a última, eu sabia. Chorei porque eram todos juntos, em mim. Aqui, do lado esquerdo.


[Depois de tanto chorar - enquanto todos aguardavam aquele momento em que muito mal eu conseguiria soluçar um brigada, pessoas -, o que fiz foi quebrar o protocolo, abrir minha boca e dizer puta que pariu, gente, isso não se faz, tá?]

quarta-feira, 11 de maio de 2011

[Aniversário]

Ganhei presentinho da Professora e da Academia onde faço Pilates:


Meu sobrenome é Disciplina. É claro que também penso no quanto é bom andar por uma praia sabendo que Professora e Academia estão colaborando na tarefa de manter meus músculos duros. Professora vai além: ela tenta fazer de mim um alguém equilibrado.

Entretanto, sei que de nada adiantaria o empenho de terceiros se eu mesma não tivesse Disciplina no sobrenome. Disciplina fica ali, mais ou menos entre Teimosia e Perfeccionismo. E logo depois de Desequilíbrio, claro.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

["O Que Você Vai Ser Quando Você Crescer"]

Eu sempre soube o que queria ser quando crescesse. Comecei minha vida profissional ainda na faculdade, trabalhando de graça num lugar comunitário. Genitor reclamava do fato de eu acordar cedo aos sábados e pagar para ir trabalhar. Meu lado Madre Teresa, porém, não se deixou abater com discursos pequeno burgueses. Tempos depois me inscrevi num concurso e ganhei uma bolsa até o final da faculdade, que pagava um salário para eu exercitar aquilo que sempre soube que seria quando crescesse e fazia Genitor reclamar [compartilhamos essa coisa de reclamar e reclamar e reclamar, afinal, a genética existe para isso, correto?] que era uma miséria, muito pouco, nem valia a pena e afins.

Assim que me formei, fui trabalhar no subúrbio. Não era um subúrbio qualquer, colega. Era um subúrbio que me fazia acordar às cinco da manhã, de segunda a quinta, para estar no trabalho pontualmente às sete e quinze, presta atenção. Um subúrbio que me gerou traumas para toda uma vida, incluindo:

a) falsas tentativas de assalto: já contei que uma vez deixei o ladrão tão compadecido que ele quase chorou comigo, arma na mão e tudo, uma beleza? não? mas isso é outro assunto;

b) um pé engessado: que eu ganhei adivinha como? esqueci o último degrau do ônibus e me espatifei no asfalto em frente a um terminal lotado de estivadores que, enternecidos com os palavrões que saltavam da minha boca e escorriam àquela hora da manhã pela rua atrapalhando o trânsito, me apoiaram, me deram colo e me ensinaram boas maneiras;

e c) o receio constante de ser atingida por uma bala perdida numa via expressa: carrego isso comigo nas minhas entranhas até hoje de modo que, se eu tiver que andar por uma daquelas linhas coloridas, por exemplo, vou escolher dar a volta, perder mais tempo ou acordar muito mais cedo, só para evitar aquele caminho. A não ser que seja minha única opção, claro. E a não ser que uma bala perdida não doa. Dói? Não sei. Sei de muita coisa que causa dor e, numa boa, já é o bastante. Enfim, estou me perdendo, droga!

Ah, sim! Foi no subúrbio que ouvi da então diretora que, se me lembrasse dos nomes e fisionomias daqueles meninos dali a alguns anos, eu veria para que eles serviram. Toda uma vibe "você está NO LUGAR, garota, se liga!"

Foi no subúrbio que conheci L. Não só L., claro. Minha memória generosa me permitiria lembrar, também, de J. [uma menina que, mesmo sabendo da distância geográfica que nos separava, insistia para que eu a levasse embora comigo, todas as terças e quintas, quando nos víamos]. Mas L., né? L. era um adolescente que se destacava dos demais. Absurdamente inteligente, dono de um discurso eloquente e notas altas. L. tinha um irmão gêmeo, o outro L. E como eu sabia quem era quem, se eles sentavam um na frente do outro? Eu sempre soube o que seria quando crescesse, simples. Instinto. Certeza de que, se a diretora tivesse mesmo razão, L. não estaria entre os outros meninos.

Então outro dia L. me procurou. Como? Não sei, talvez ele também sempre soubesse que me encontraria quando crescesse. Parece que não foi uma tarefa fácil, porque há anos abandonei o subúrbio, a diretora não era mais a mesma, a maré não estava favorável, assim como meu trânsito astrológico e, sendo assim, percorreu uma via-crucis até chegar a algum tipo de contato meu. L. agora é um homem de vinte e dois anos que já começou uma pós-graduação na mesma universidade em que fiz a minha e que acabou de ser chamado para um concurso que fizera tempos atrás. Somos colegas de profissão, veja só! Não reconheceria L., se o visse passar por mim na rua.

Eu sempre soube o que queria ser quando crescesse, talvez porque já sonhasse em receber um e-mail de alguém que passou pelas minhas mãos anos atrás e fez questão de me mostrar que estava mesmo certa quando escolhera o que queria ser. L. me mandou um vídeo com o trecho da sua formatura, quando citou a pessoa que o inspirou a escolher aquele curso, quando disse em público que espera ser como a tal pessoa era para ele e quando escolheu, como sua música, uma que esta mesma pessoa lhe apresentou, tempos atrás, ao levar um cd e a letra, ensinando todos a cantarem que quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

L. me disse que continuo com a mesma fisionomia de tempos atrás e que, se antes não podia dizer por causa daquela coisa de hierarquia, agora ele não precisa me obedecer e pode dizer o que pensa. Não sei lidar com elogios, ainda que só esteja vendo a pessoa através de um computador. Não sei como reagir e fico pensando falo que ele está irreconhecível, está grandão e graças a Deus por isso? Não sei como proceder, não sei.

Agora L. quer me encontrar. Acha justo que eu receba não sei bem o que, talvez o seu projeto de pesquisa para dar uma olhada, assim como quem não quer nada. Eu sempre soube o que queria ser quando crescesse. Conhecer um monte de L. e, de alguma forma, deixar minha marca, não passar em branco e não fazer uma viagem perdida em vida. É, mas isso implica em ser reconhecida pelo meu trabalho e, evidentemente, receber elogios. A contradição é tudo na vida da pessoa, não? Enfim...

[Só não sei o que fazer ou onde enfiar meu rímel quando surge um L. que faz com que me dê conta que, realmente, se eu quero, consigo]

segunda-feira, 7 de junho de 2010

[Coisas]

Uma menina de dezessete anos falou, certa vez, que sua mãe estava vendendo coisas e me perguntou se eu gostaria de ganhar uma coisa. Expliquei a ela que, fofa, na atual conjuntura da minha vida, aceito q.u.a.l.q.u.e.r coisa de bom grado, desde que me seja dada bem longe dos períodos de avaliações porque, né?, aceitar suborno seria o fundo do poço.

Então eu ganhei uma coisa de presente:

Abri apenas uma ponta da sacola onde a coisa estava e, ao ver do que se tratava, expliquei que ia terminar de ver em casa, se não se incomodava, ali não era o local mais adequado, mil desculpas e tal. Ela respondeu que tudo bem, mas que quem não precisava se incomodar era eu, pois todos já tinham visto várias das coisas que a mãe dela vende. Inclusive, a que me foi dada de presente foi escolhida por votação popular, num dos intervalos de aula, pela trupe masculina da sala.

[Pois bem, pois bem. Todo um esforço carnal-espiritual-e-filosófico para manutenção da ordem e dos bons costumes naquele ambiente destruído em poucos segundos, com um coro gritando, ao fundo, experimenta]

terça-feira, 4 de novembro de 2008

[Prêmio Para Os Pés]

Welker, dono do Cesto de Lixo do qual sou assídua catadora de linhas inteligentes e autor dos comentários mais divertidos deixados por aqui, presenteou o blog com um selo, o "Prêmio Dardos":


(O prêmio Dardos tem como objetivo: "Reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras...". Para aceitar o selo deve-se citar e linkar o blog de quem recebeu, publicar a imagem do selo e repassar para mais 15 blogs.)

Parece que as pessoas obedientes que recebem este selo devem repassar o mesmo para mais quinze blogs, né? Mas... pára e pensa: eu, a [P], não posso dar mais do que dez. No bom sentido, claro. Portanto, vou incorporar a subversiva e indicar os seguintes blogs:

Clarice na Janela. É a janela onde gosto de perder horas vendo o compasso das suas linhas.

Pensamentos Soltos. Porque ela escreve sobre todos os assuntos com um toque pessoal que torna seus textos inconfundíveis. Além do mais, me aguentar, por si só, já mereceria um prêmio.

Love is no Big Truth. Ele nunca perde o jeito para escrever aqueles textos profundos que me cativaram há um bom tempo e sabe mesclar uma música que faz lembrar de mim com típicas cobranças de encurtamento de espaços geográficos, como se eu pudesse encolher o mapa do Brasil e torná-lo morador daquela esquina logo ali, sabe?

Dever cumprido. Agradeço aos meus pais, ao meu bom senso e ao Welker. Os responsáveis pela minha chegada a este mundo. O responsável pela minha vocação para ganhar a vida trabalhando como uma escrava ao invés de almejar ser a próxima capa da Playboy. E o responsável pela descrição sessão da tarde do Siga Aonde Vão Meus Pés e pelo presente para o blog.