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quarta-feira, 6 de março de 2013

[Sou Dessas]

Sou o tipo de mulher que usa a palavra "acirrada" propositalmente, só para testar o funcionamento do cérebro alheio. O tipo de mulher que fica felizinha quando vê que compreenderam o significado da palavra. E o tipo de mulher que pensa imediatamente numa perversão quando utilizam o verbo "abrir" - ainda que não esteja, de jeito nenhum, relacionado a um abrir de pernas.

Sou dessas.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

[Cretina]

Num mundo de faz de conta, no qual eu precisasse de uma boa propaganda para minha imagem, o emprego seria deste cidadão:

"De uma pessoa bacaninha evoluiu para muito bacana, de muito bacana para extremamente divertida, aí foi para... hum... interessante essa mulher, me atrai. Aí passou para: certamente essa mulher me atrai muito. Então evoluiu para: sinto falta da cretina quando passo muito tempo sem falar com ela."

[Colega, me joga na parede e me chama de cretina. É meio caminho andado para eu sair dizendo sim para um bocado de coisas...]

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

[Divino]

[Rafael Sieg, O sequestrador]

[Não só ficaria sequestrada pelo tempo que fosse necessário, como também super daria para o meu algoz]

sábado, 18 de agosto de 2012

[Test Drive]

Daí que decidi trocar de carro. Um engarrafamento tour pela cidade, algumas concessionárias e negociações depois, resolvi fazer um test drive no que mais me agradou. Expliquei que era uma voltinha de nada, coisa básica, só para ver quanto tempo levaria até atingir uns 150km/h o desempenho do possante.

O cidadão consentiu, lógico.

O cidadão consentiu e disse que, diante da impossibilidade de deixar a loja naquele momento, chamaria um outro rapaz para dar a tal volta comigo, lógico.

O cidadão consentiu, disse que chamaria outro rapaz para me atender e não teve a capacidade de explicar que se tratava de um deus eu poderia demorar o tempo que quisesse no meu test drive. Cidadão esquecido. Lógico.

Após um lapso de tempo que, no meu entender, podia durar uma eternidade, estávamos de volta à concessionária e não sei dizer em qual língua o cidadão explicava coisas como modelo, potência, opcionais e afins do carro, já que minha mente estava toda trabalhada nos cálculos para levar os olhos, a boca, os bíceps e a marcha para casa comprar o dito cujo.

Quando o cidadão quis saber se íamos fechar o negócio, imediatamente fiz a única pergunta que me cabia naquele momento.

Perguntei se o rapaz do test drive estava incluído. Lógico.

Não entendi o espanto. Não entendi o constrangimento. Muito menos entendi o despropósito do fato de me colocarem dentro de um carro com um sujeito que não me permitiu pensar em outra coisa a não ser fuck me, please e depois não fazerem de tudo para que eu efetuasse a compra.

Não estava incluído.

[Francamente, viu? Gente que não sabe sequer negociar, tsc]

quinta-feira, 24 de maio de 2012

[Bloqueio]

Como derrubar um bloqueio invisível arduamente construído há mais de cinco anos de convivência em dez atos:

1) Nomeie o sujeito de Gostoso da Matemática. Obviamente, Gostoso da Matemática terá que ser o supra sumo do local, objeto de cobiça das moçoilas e, portanto, sinônimo de dor de cabeça. Contrariando o comportamento exibicionista da sua raça, Gostoso da Matemática será sempre discreto sobre sua vida pessoal, educado no ambiente de trabalho e fingirá uma certa cegueira com relação ao transtorno coletivo que provoca no mulherio quando passa carregando suas réguas, seus equações e seu corpo moreno pelos corredores.

2) Você vai precisar de um ipê amarelo. Numa tarde ensolarada de outono, lá estará você, colando flores de papel crepom num ipê amarelo desenhado pela sua própria pessoa, numa clara demonstração de que sabe fazer de tudo um pouco nesta vida, incluindo a utilização das suas mãos para fins não lucrativos. 

3) Capriche na pose sensual enquanto estiver debruçada sobre a mesa com as mãos imundas de cola e o cabelo preso num coque feito de qualquer jeito, pois Gostoso da Matemática só aparecerá na sala quando captar que você está neste delicado momento da sua vida.

4) Gostoso da Matemática irá se aproximar e perguntar o que é aquilo que você está fazendo. Atenção - muita atenção - a este ponto: responda que é um ipê amarelo e complete com um não acredito que não está vendo que é um ipê amarelo, puxa vida. Entretanto, não fale de qualquer jeito, certo? O seu tom de voz terá que parecer severo, como se estivesse dando um puxão de orelha no Gostoso da Matemática, de modo que ele dirá, imediatamente, que não precisava responder daquele jeito e, meio sem graça, sairá da sala.

5) Climão. Seja a responsável por aquele climão que sucederá a saída de Gostoso da Matemática da sala. 

6) Com o fim do expediente se aproximando, não invente de sair antes que Gostoso da Matemática reapareça na sala para guardar suas fórmulas, sua raiz quadrada e seus parênteses no armário. Só assim você - ainda - estará colando flores de papel crepom num ipê amarelo quando a sala estiver cheia de gente e poderá ouvir Gostoso da Matemática se despedir, não sem antes acrescentar que faz questão de dizer que a árvore está ficando bonita, mesmo tendo levado um fora da sua descompensada pessoa. 

7) Engula seu deboche, explique que não havia sido um fora, repita o que dissera antes e ouça Gostoso da Matemática dizer que até parece que foi com esse amor todo na voz, foi muito mais um 'mas que porra, não está vendo que é um ipê amarelo'? 

8) Segure suas contrações, que parecerão querer te empurrar para cima de Gostoso da Matemática - tão sexy, meudeusdocéu, soltando um porra diretamente para sua pessoa -, sinta o ambiente inteiro constrangido e aguarde. Aguarde, tá? Esteja com a granada que irá derrubar o bloqueio invisível que ergueu entre você e Gostoso da Matemática na mão e aguarde.

9) Assim que Gostoso da Matemática sorrir e, em tom de brincadeira, pedir desculpas por ter feito uma pergunta tão óbvia sobre uma árvore que não podia ser outra coisa senão um ipê amarelo, solte a granada, respondendo com sua cara mais lavada que ok, tudo bem pela árvore, mas não te desculpo por existir e, ainda por cima, ser desse jeito aí.

10) Pronto. Junte os destroços do bloqueio invisível que deu tanto trabalho para ser construído, guarde-os na bolsa - no mesmo compartimento onde guarda seus comprimidos para dores de cabeça - e aprenda a lidar com o fato de que vão começar as apostas sobre qual desfecho a sua relação explosiva iniciada com Gostoso da Matemática terá.

[Seguimos fazendo tudo certo, não? Tudo certinho, uma beleza...]

segunda-feira, 16 de maio de 2011

[Nós]

Aqui. Bem aqui, está vendo? Guardei esta penugem escondida debaixo dos tecidos para quando a luz fosse fraca e o seu tato, incerto. Sabia que prestaria atenção nos detalhes com seus olhos cegos de volúpia. Sabia que desenharia o mapa do seu desejo seguindo o traçado dos meus arrepios. Venha sem pressa no seu silêncio fervente. Já te disse que gosto do seu silêncio? Gosto porque deixas escapar junto com ele a saliva que molha meu ventre e, assim, as palavras que não precisam ser ditas escorrem de encontro ao meu sexo para se perderem novamente na sua boca. Olhe direito para as ondas que se formam no emaranhado do meu cabelo porque quero que você pule cada uma delas até descobrir o que existe de mais úmido nas minhas profundezas. O que escondo de mim mesma e do meu reflexo distorcido no seu par de olhos tímidos. E o que escancaro todas as vezes em que descruzo minhas pernas, só para sentir o latejar do seu sangue, o tilintar dos seus dentes e a falta de ar que invade seus poros naquela ânsia louca de me ver seminua preenchendo seus espaços vazios de antes de mim. Sopre obscenidades envoltas em nuvens fluorescentes naquela língua que só nós dois entendemos. E me abra, me invada, me dobre e me guarde ali. Bem ali, está vendo? Escondida debaixo dos seus tecidos. Perdida nas suas veias. Correndo em você.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

[Fantasia]

Altas discussões sobre a festa a fantasia que acontecerá na casa de uma amiga do trabalho no próximo final de semana. Quando me perguntaram se eu já tinha escolhido minha roupa e respondi que não, iniciou-se uma espécie de votação popular. Sugeriram Mulher Maravilha. Eu ri. Sugeriram Gata Borralheira. Ri também. Sugeriram que eu me fantasiasse de freira. Ri de novo. Desistiram de me fantasiar em pensamento, na certeza de que eu tinha ficado tentada com a fantasia da freirinha.

Tolinhos... eu só não queria estragar a surpresa, é claro.












[Só não quis contar que serei uma stripper, beijos]

sábado, 28 de agosto de 2010

[Indevido]

xxxxxxx diz: e vocês vão no seu carro ou no dele?

[P] diz: como assim? eu vou no meu e ele no dele. quero evitar caronas indevidas

xxxxxxx diz: e contribuir para um trânsito mais caótico?

[P] diz: neste horário não há mais trânsito caótico, você sabe

xxxxxxx diz: e em que lugar vocês dois vão?

[P] diz: peraí!!! não tem isso de "vocês dois", não é um encontro a sós, vamos estar em bando, haverá uma galera e tal

xxxxxxx diz: ah, é? pensei que fosse tipo um encontro

[P] diz: não, não será. quero evitar climas indevidos

xxxxxxx diz: claro, te entendo. mas e a roupa, você já escolheu? deixa eu opinar, deixa, deixa, deixa?

[P] diz: sim, opine

xxxxxxx diz: aquele vestido liiiiiiiiiiiindo que você comprou quando fomos ao shopping para trocar a minha sandália. vai ficar linda!!

[P] diz: não, eu não vou de vestido. acho que vou com uma calça e aquela blusa que me custou um dos olhos da cara e ainda nem usei

xxxxxxx diz: [P], vai de vestido, o que te custa? deixa de ser estraga prazer. ele é lindo

[P] diz: é verdade, ele é lindo

xxxxxxx diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkk, então, vestido!!!

[P] diz: não, você sabe que não vou. quero evitar mãos bobas indevidas

xxxxxxx diz: que pena. depois do vestido eu ia sugerir que fosse sem calcinha, pra facilitar os trâmites bobos

[P] diz: hahahahahahaha!!

xxxxxxx diz: desse jeito, minha amiga, evitando tanta coisa "indevida", você não vai pegar nada, nem sequer sapinho

[P] diz: hahahahahaha!!! ô imaginação podre

xxxxxxx diz: e você sabe, minha amiga, que se não experimentarmos os sapos, nunca saberemos qual deles é, na verdade, o príncipe

[P] diz: é a sua teoria?

xxxxxxx diz: e você também sabe, minha amiga, aliás toda a torcida do seu time sabe que, no caso, nem estamos falando de um SAPO. então, DEIXA DE SER DESSE JEITO AÍ e acorda, porra

[O poder de argumentação das pessoas deve exercer uma força sobrenatural sobre mim, pois já estou revendo meus conceitos sobre ficar presa num engarrafamento que eu mesma ajudei a criar, ainda por cima usando algo desconfortável como uma calça comprida, sabe? Ou então sou muito, muito influenciável, tsc]

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

[Mapa]

[Anda, aproxima o rosto do monitor até chegar naquele canto ali, vê? Olha bem no meio das minhas pernas e lambe minhas linhas antes que eu vista a calcinha. Molha seu teclado salivando entre meus parágrafos antes que eu coloque as reticências nas quais me deito só para te sentir ofegante do outro lado. Pensando bem, é melhor que feche a página onde me encontrou, me dê as costas e finja que não existo, antes que eu me vire de quatro no próximo texto e te peça para me ajudar a escrever rascunhos de amores desbotados...]

terça-feira, 8 de setembro de 2009

[A [P]rendada]

Lavo almas, passo emoções, cozinho destemperos, arrumo confusões, varro indesejáveis, ensino boas maneiras, uso meus neurônios, danço em cima de mesas, sento sobre, finjo santidade se necessário, trago a pessoa amada em poucos dias, encarno a depravada em ocasiões especiais, pinto sentimentos, costuro corações e bordo sonhos por encomenda.

[Não sei como não existe uma fila, sabe? Não dá para entender...]

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

[365]

Siga Aonde Vão Meus Pés completa, hoje, um ano de pegadas, surtos, desabafos, entrelinhas, venenos e boas intenções.

Reparamos - eu e meu cabelo universalmente tido como bom, eu e minha língua comprovadamente multiuso, eu e meus neurônios aparentemente em condições normais de temperatura e pressão, eu e meus botões desabotoados propositalmente - que meus pés estavam dormentes por estarem há tanto tempo na mesma posição.

Chegou a hora de um cruzar e descruzar de pernas...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

[2009]

Esqueça todas as coisas extravagantes que fiz. Todas as palavras ditas no silêncio do meu olhar e todas aquelas outras escandalosas proclamadas à distância. Todas as lágrimas derramadas. Todo aquele batom vermelho borrado nos cantos da minha boca. Esqueça as coisas que não fiz também. Os sorrisos que não dei. As mãos que não apertei. Os abraços que adiei. As cartas que, embora tenha escrito, não mostrei. Esqueça o que acha que sabe porque, só agora vejo, há coisas que nem eu mesma sei. Estou virando as últimas páginas do ano de 2008 no livro da minha vida com uma única certeza, rabiscada com letra bonita numa folha amarelada pelo sal de outrora: nada do que aconteceu se compara ao que farei saltar da minha lista de desejos e se misturar, ardentemente, à porra que trago na boca e ao gozo que escapa pelos meus poros, sem meio nem fim, em 2009.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

[A [P]ecadora]

Uma amiga contou sobre um tal calendário lançado pelo Vaticano cuja existência, aparentemente, apenas EU desconhecia. Então abro mão de todo o trabalho empilhado que me aguarda numa mesa igualmente abarrotada de porcarias comestíveis em prol desta notícia. Porque, como todos nós sabemos, devemos valorizar nosso bem-estar, nosso equilíbrio, nossa paz interior, ao invés de nos desdobrarmos em trabalho que, no final das contas, nos trará o que? Dinheiro? Quando traz, certo? E dinheiro não traz felicidade, irmãos. Dinheiro não é tudo e blábláblá.


Sim, Padres, eu pequei.
Devo confessar, na verdade, que sou pecadora compulsiva desde criancinha.
Onde exatamente devo ajoelhar para pagar minhas penitências infinitas antes de ir para o inferno de vez?

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

[Toda Tentação Será Perdoada]

Outro dia uma menina me chamou na sua mesa e perguntou, baixinho, se eu estava grávida.

Todas as pessoas para as quais contei o ocorrido disseram que era impossível que tivessem feito tal pergunta para mim.

Mas foi o suficiente, no meu entender. Encarei a perguntinha como uma revelação.

Era o sinal dos céus que faltava para que eu criasse vergonha na cara e começasse a fazer alguma atividade física diferente de levantamento de canetas vermelhas.

Resolvi me matricular num curso de dança do ventre.

Pois é.

Sem perguntas, por favor.

[Porque tentação pouca é bobagem]