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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

[Raios]

Sonhei que fazia parte de um bando de seres que hipnotizavam pessoas através de raios fluorescentes - raios estes que, partindo de seus olhos, atingiam em cheio o alvo escolhido.

A cor do meu raio não me agradava. Era azul.

Exigi falar com meu superior. Argumentei que, além de ser uma cor que não me favorece, não fazia sentido meus olhos dispararem raios azuis quando utilizo muito mais a caneta vermelha do que qualquer outra cor na minha vida.

[Toda trabalhada na neurose de notas e médias, inclusive em sonhos]

Diante da negativa do chefe em mudar a cor do meu raio, ameacei iniciar uma greve pelo direito nato que todo ser humano - e não humano também, por que não? - tem de manifestar seu pensamento e sua discordância para com as cores dos seus raios, dos seus cabelos, das suas unhas, enfim.

Acho que eu era uma criatura com mega poder de aglomeração de funcionários descontentes, pois foi só ameaçar juntar a galera insatisfeita com seus raios fluorescentes que o chefe resolveu meu problema. Ganhei raios vermelhos.

De posse deles, comecei a me perguntar quem seria a primeira vítima que iria matar.

[Não expliquei que, uma vez hipnotizado, o ser atingido partia para um outro plano, né?]

Lembro que num espaço muito curto de tempo ia esbarrando em todas as pessoas que queria afastar da minha vida. Não precisaria de um raio, entende? Só sumir da minha frente e pronto. Então, todas iam passando por mim e eu não usava o raio com nenhuma delas.

De repente me vi sozinha, num campo lindo, cheio de flores azuis - ah, o azul! -, com meu vestido de camponesa esvoaçante e pés descalços. Quando olhei para meus pés, resolvi que ia lançar meu raio sobre eles.

Lancei.

Sim, hipnotizei a mim mesma.

O resto todo mundo já sabe.

Fim.

domingo, 18 de julho de 2010

[Trinta Reais]

Sonhei que não tinha trinta reais para comprar um vestido que vira na liquidação do shopping.

Comentando o fato com Genitor, ele sugeriu que transformasse meu carro num táxi, pois esta seria a maneira mais rápida de juntar o dinheiro. Relutei o quanto pude, alegando que detesto as cores usadas neste tipo de veículo e que isto descaracterizaria totalmente o meu Neruda. Genitor, porém, conseguiu me convencer quando explicou, numa vibe tenho-amigos-que-fazem-uns-servicinhos-clandestinos-por-aí, que eu poderia utilizar uma tinta que deixaria o carro com jeito de táxi apenas aos olhos alheios mas que, quando a dona o olhasse, lá estaria ele: prata, lindo, glamouroso e vitaminado. O preço da tinta? Oitenta e três reais e quarenta centavos. Fui convencida, assim, a transformar o possante num táxi.

[Como não tinha trinta reais para o vestido mas pude desembolsar o valor da tinta é algo que me escapa à compreensão, tenha piedade]

Não demorou muito - em sonho tudo passa bem depressa, todo mundo sabe - e lá estava meu táxi disfarçado de Neruda. Perguntei a Genitor, então, pelos documentos. Ele foi me passando todos, mas senti falta de um em especial. Surtei bonito quando me dei conta que ele havia esquecido o mais importante, aquele que me daria a chance de juntar os míseros trinta reais.

O documento era um tal de Licenciamento Anual Para Liberação De Orgias No Interior Do Veículo, tá?

[Em minha defesa, quero alegar que: 1) o vestido é realmente lindo, custa trinta reais e está com uma etiqueta onde se lê vem, [P], me leva, me usa, sou seu, à minha espera, no shopping; 2) eu tinha bebido umas Devassa antes de chegar em casa e começar a sonhar e 3) está complicado sentar em Neruda e não pensar em orgias]