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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

[A Buzina]

Quando eu estava prestes a entrar no carro, ele passou e buzinou. Não entendi nada. Quando parei no mesmo sinal em que ele já estava parado, ele buzinou. Olhei. Achei que, sei lá, eu pudesse ter esquecido minha porta aberta. A porta estava fechada e então comecei a entender. Novamente tivemos que parar em outro sinal, lado a lado. Ele buzinou. Entendi perfeitamente. Eu tinha que entrar numa rua, dei seta e ele, que estava na minha frente, foi para o lado e buzinou, fazendo sinal com a mão para que eu passasse. Parei no último sinal e ele ia seguir em frente. Seguiu mas, ao passar por mim, buzinou pela última vez. 

Podemos concluir, após tanto barulho de buzina que a) existe todo um código de flerte baseado no efeito sonoro da buzina dos carros; b) eu aprendo as coisas muito depressa; c) eu aprendo de tudo um pouco muito depressa e isso inclui entender significados de buzinas e d) como tenho que fazer aquele trajeto, àquela hora - e ele, pelo visto, também - quase todos os dias da semana, certamente virarei PhD em decifrar o que cada buzina quer dizer. 

[O que vou fazer com isso na minha vida é um grande mistério ainda não desvendado]

terça-feira, 24 de setembro de 2013

[A Mais]

Essa minha vida de grevista já me rendeu uns empurrões, umas discussões, uma aparição na televisão - aposto que você não viu! - e DOIS QUILOS a mais.

Segundo minha professora de Pilates, os tais DOIS QUILOS correspondem a um ganho de massa muscular - que ela faz questão, inclusive, de mostrar onde está situada -, e não a gorduras localizadas [ou perdidas] no meu corpo.

[Só vendo para crer, irmãos!]

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

[Infernizar]

Estou lá, discordando do andamento das coisas, me posicionando enquanto o bando de colegas lesados permanece num silêncio constrangedor, explicando o porquê das minhas divergências e à espera de um puxão de orelha do meu chefe. Estou nessa há dias.

E o que recebo? Hein? Um e-mail do chefe, no qual ele diz que, de certa forma, mereço parabéns e que "infernizo" - assim, com aspas e tudo, como se eu não pudesse entender o sentido figurado - mas, mesmo assim, ele gosta do meu jeito.

[Não é por nada não, chefe, mas... eu também... eu também]

;)

quarta-feira, 10 de julho de 2013

[Descoberta]

Descobri o meu problema!

*pausa estratégica para a necessária preparação psicológica que antecede qualquer revelação bombástica*




















É o seguinte: segundo uma de minhas melhores amigas, o meu problema fundamental, o crucial, o que me faz ser do jeito que eu sou - seja lá o que isto signifique para ela - é que não tenho bunda.

Veja bem: às vezes eu não tenho dinheiro; nunca tenho controle sobre minhas crises intempestivas; juízo também não trabalhamos; freio na língua - e o do meu carro - eu nem sei do que se trata... de modo que não tenho um monte de coisas que, aparentemente, deveria ter pelo menos um pouquinho que fosse, MAS o meu problema maior é que não tenho bunda para mostrar, de acordo com a observação dela.

[Acabei de destruir toda e qualquer construção imaginária positiva sobre a minha pessoa, eu sei]

No meio de mais uma conversa da infinita série "por que não enxergam o meu valor?", Amiga vociferou sobre esta mania que eu tenho "de ser inteligente, de usar o cérebro e de ser exigente, quando o que conta mesmo é uma bunda de respeito". Terminou seu monólogo - eu fiquei quietinha, tentando tirar alguma lição sadia daqueles pensamentos - afirmando que meu problema é que desejo um milagre, quando o ideal seria usar mais a minha bunda. A frase de efeito apareceu na forma de uma enigmática provocação, quando ela soltou algo como "mas é uma merda mesmo; deus, às vezes, até dá nozes a quem tem dentes, mas tem preguiça de mastigar..."

[Profundo, hein? Eu achei super profundo, não consigo achar nada menos do que isso. Bem. Talvez profundo e totalmente sem sentido. Enfim]

Estou processando estas informações ainda. Com muita calma, a coisa é lenta mesmo. Não é fácil, para mim, fazer um exercício mental de causa e efeito que envolva bunda-mastigar-nozes-dentes-preguiça e não neurônios-conversas-inteligência-olhares-sorrisos.

[Alguma coisa me diz, porém, que venho fazendo tudo muito errado nos últimos tempos...]

terça-feira, 16 de abril de 2013

[Só Que Não]

Como descobrir que, sem querer, você encontrou uma intrigante espécie da raça masculina - espécie diferente de todas as que já conheceu na vida:

1) Desafie. Isso mesmo, desafie. A lei da gravidade, a sociedade hipócrita, as calorias consumidas e os rivais no joguinho musical que consome seus poucos minutos vagos nesse 2013 já turbulento. Desafie, mesmo que - na verdade, principalmente - seja um desafio às cegas. Pouco importa se as criaturas são meio esverdeadas, possuem anteninhas e curtem axé; afinal, você está ali para competir.

2) Tão logo a foto da intrigante espécie da raça masculina apareça, exclame um "meu deus, como você é lindo" em alto e bom som, para que fique claro - em negrito, sublinhado e CAPS LOCK - que trata-se de uma c.i.l.a.d.a.

3) Sendo uma cilada, não bastará ser lindo, mas também destemido o bastante a ponto de puxar conversa. Atenção, muita atenção: a simpatia gritante desta espécie deve ser parte do plano para que você comece a se desconcentrar no jogo.

4) Não perca, amiga. Não perca o juízo antes da hora e nem as partidas. Assuma a liderança com uma confortável distância no placar e, se possível, faça com que ele erre uma música da sua banda preferida - o que deixará mais do que claro que você não está ali para brincadeira e o fará escrever "impressionante".

5) Concorde. Impressionante, realmente. Tudo muito impressionante. No entanto, concorde sem expressar sua concordância, é claro. Apenas saia dizendo "impressionante" na frente do espelho, ao volante e no meio dos seus dias tumultuados.

6) Passada essa primeira etapa, é evidente que vocês vão se tornar ~amigos~ na rede social. Ao descobrir que a intrigante espécie da raça masculina trabalha utilizando o computador e, por isso, será uma companhia constante naqueles tais poucos minutos que você tem de sobra nesse 2013 turbulento, acenda a luz vermelha e redobre os cuidados.

7) Seja você mesma. O que significa: não seja sociável, não solte elogios rasgados e não economize nos palavrões. Com o passar dos dias, você perceberá uma certa mudança no comportamento da intrigante espécie masculina e, sendo você mesma - o que também significa ser direta quando necessário -, questionará se está tudo certo, se a criatura não comeu nada estragado e se tem noção do que está falando. Assim, sempre muito meiga.

8) Para sua surpresa, ouvirá o seguinte: "não sou o tipo de pessoa que se interessa por alguém através da internet" e ainda será solicitada para que sirva de conselheira sentimental porque, né?, a espécie masculina vai achar de bom tom pedir dicas de como se aproximar de outra mulher. Anote tudo isso, amiga. Com a observação: só que não.

9) Esconda. Seu desapontamento, sua irritação e sua vontade de xingar a intrigante espécie da raça masculina até sua nona geração. Esconda tudo nas suas entrelinhas e esteja sempre simpática, divertida e leve. Quando notar que já estão na fase dos ~amigos~ que se preocupam um com o outro, que estão sempre dispostos a ouvir, criticar e ajudar, aproveite para contar a esta intrigante espécie masculina sobre a mudança no comportamento de um dos seus colegas de trabalho. Não esconda nada; afinal, ~amigos~, lembra? Fale das suas desconfianças e desabafe tudinho, sem esquecer de mencionar que gostaria da opinião de alguém da mesma espécie. Você ouvirá a opinião de alguém que não esteve nem aí para você nos últimos dias. Só que não.

10) Aconchegue-se na sua cadeira e acompanhe um inacreditável surto virtual de uma espécie que, de tão intrigante, gostaria que você tivesse adivinhado que, opa, digo que não me interesso através da internet (só que não); digo que não há a menor possibilidade de haver algo entre nós (só que não); te peço opinião sobre como chamar a atenção de outra mulher porque quero ficar com ela (só que não); sempre falei que não havia segundas intenções nas minhas intenções com relação a você (só que não). Não esqueça de fechar sua boca devidamente embasbacada quando for acusada de se fazer de desentendida porque, desde o começo, você sabia que era interessante aos intrigantes olhos da surtada espécie da raça masculina.

[Até aí, né, meu bem? Você não seria o primeiro a me achar interessante após algumas frases trocadas através da internet. Agora, querer que eu entenda tudo o que vem me dizendo ao contrário, é demais para a minha cabecinha. Assim eu entro em colapso. Eu, que já sou tão equilibrada... só que não]

terça-feira, 2 de abril de 2013

[Oração]

Vamos brincar de supor?

O que esperar - supostamente - de qualquer coisa que comece com uma troca de rede social numa festa de quinze anos enquanto a pessoa - supostamente, eu - está na pista de dança ao som de a noite chega, ela só quer dançar?

[É, isso mesmo. Sim, o som era esse. E eu sei. Eu sei, tá?]

Oremos.

segunda-feira, 25 de março de 2013

[A Gestão]

- A sua gestão neste cargo que ocupa desde o ano passado está tão foda que já andei ouvindo, pelos corredores, que pretendem te chamar para montar uma chapa para a Direção, na próxima eleição - Amiga foi correndo me contar, no meio do expediente.

OLHA.

Quero dizer que já estou ensaiando o meu discurso; afinal, VAI QUE, né?

Primeiramente, vou agradecer por terem lembrado do meu lindo nome. Em seguida, falarei que estou satisfeita com a foda que cabe a mim - e só a mim - dar conta, desde o ano passado. Prosseguirei explicando que, desta maneira, dispenso  toda e qualquer outra foda que porventura apareça no meu caminho. Por fim, não vai me custar nada lembrar que seria muita foda para uma mulher pura, inocente e vulnerável, como eu, lidar.

[Era só o que me faltava...]

quinta-feira, 14 de março de 2013

[A [P]oderosa]

Ontem foi a vez das meninas. Elas resolveram fazer um rodízio, para que não houvesse atropelamentos e nem repetições de elogios. 

O tema escolhido foi "o possante da [P]". Disseram que tinham me visto chegar no estacionamento e que o meu carro é lindo. Também disseram que é a minha cara - mesmo que eu seja toda meiguinha [!] e tenha cara de santinha [!]. Por fim, fizeram questão de salientar que, ainda assim, meu carro, além de ser o mais bonito de todos, é perfeito para mim, pois me deixa muito poderosa [!] dentro dele.

[Terapia para que, quando se tem quarentas cabeças disputando para ver quem consegue inflar mais o meu ego, não é verdade?]

segunda-feira, 11 de março de 2013

[Novinha]

Meu dia começou bem até que, à tarde, tudo foi por água abaixo e o dia que havia começado bem transformou-se num martírio recheado de gritos, indisciplina e cansaço - o meu cansaço, principalmente mental.

Minha garrafa de água ficou vazia e eu tive que esperar por um intervalo para matar minha sede. Você sabe, eles poderiam iniciar a Terceira Guerra Mundial se ficassem sozinhos, do jeito que estavam - num dia que havia começado bem.

Minha voz foi sumindo aos poucos e não havia tática que funcionasse, a não ser a boa e velha retirada de sala, o bom e velho triplicar de atividades e, ainda, aquele sermão gostoso que só eu sei dar. Sim, eu dei três sermões gostosos hoje - no meu dia que havia começado bem.

Exausta, quase no fim do expediente, num estado que devia estar me deixando parecida com uma sobrevivente de uma catástrofe qualquer, um menino diz que sou novinha e que devo ter, no máximo, vinte e cinco anos.

[E assim, às 17h 28min, o meu dia - que estava uma merda - voltou a ficar bem, senhoras e senhores]

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

[Cor De Mar]

Ele me desafiou naquele joguinho viciante da badalada rede social - aquele que testa nossos conhecimentos musicais - há pouco mais de um mês. 

Lá estava eu - ABSOLUTAMENTE NA MINHA, ENTENDEU, MURPHY? -, cumprindo meu papel de rival que disputava ferrenhamente cada partida quando, de repente, a ~mágica~ do chat se fez presente na forma de um "Tá bonita essa disputa!", que evoluiu para outras mensagens e outras e outras e mais outras - todas, porém, envolvendo nosso gosto musical, nossas revanches, minhas vitórias repentinas em Metal e as dele em Ana Carolina.

Pois bem, pois bem.

Continuava eu lá, quietinha - REGISTROU ESTA INFORMAÇÃO, MURPHY? -, até que a minha teoria da geração espontânea de convites aleatórios tomou forma e pipocaram pedidos de telefone, uma saída para um chopinho e link para minha página na badalada rede social, terminando com a inconsequente afirmação de que "o interesse em saber de você não é novo...".

Esperava que eu me escondesse na casinha e ignorasse e me fingisse de anta paralítica - o que, aliás, ERA O QUE EU HAVIA DECIDIDO FAZER NA MINHA VIDA, NÉ, MURPHY? Esperava que eu colocasse um ponto final antes que virássemos ~amigos~ e nos esbarrássemos no chat fôssemos um começo de qualquer coisa que - já sabemos de antemão - NÃO PODE SER? Eu também, Murphy. Eu também.

Precisava, né, Murphy? Precisava MESMO de um par de olhos cor de mar, correto? É para que, exatamente? Se for para evitar que eu raciocine direito enquanto digitam apressadamente, esperam minhas ironias e me chamam de deliciosamente complexa, olha, tenho que admitir, EXCELENTE TRABALHO, MURPHY.

Cara.

Deliciosamente complexa.

[Não preciso consultar nenhum oráculo para saber o que vem pela frente. Valeu, hein? MAL POSSO ESPERAR, MURPHY]

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

[Do Embaralhar]

Vamos chamá-lo de... hum... "Mno".

E vamos supor que eu esteja observando o seu comportamento... digamos... estranho há alguns meses.

Começou com uma insistência para que eu explicasse um comentário totalmente aleatório e feito há muito tempo. Uma insistência que terminou com a frase "você sabe tudo, [P]".

[Sem querer decepcionar, mas não sei porra nenhuma, meu amor. Parece que sei? Não sei, juro. Estou aqui, perdidinha, implorando orientação mental/sentimental/astral/sexual/espiritual a qualquer pessoa que aguente me ouvir repetir a mesma ladainha por infindáveis minutos, na hora do almoço, ao telefone, no meio do trânsito, ad aeternum, até me dar por satisfeita mas, né?, parece que finjo saber tudo de maneira exemplar]

Além de ~saber tudo~, sou aquela que posta tudo o que ele gosta - é assim que interpreto o fato de que a pessoa curte e comenta minhas músicas, as frases dos livros que estou lendo, as imagens e os devaneios que arremesso na badalada rede social que nos une como amigos. Também não preciso mais me defender de ninguém porque, ora bolas, lá está ele, mandando as pessoas tomarem seu rumo, ao invés de me incomodarem. E hoje, nosso último dia de trabalho, ele fez questão de ir até a sala onde eu estava, para desejar aquelas coisas que se deseja no fim de ano. Super legal da parte dele, não fosse o fato de ter atravessado uma sala onde estavam outras sete pessoas, ignorando qualquer sinal de boa educação, só para se despedir de mim. Está complicado avaliar que tipo de abraço e beijo e proximidade e sussurros fantasiados de desejo de coisas boas para o ano que vem foram aqueles porque, na verdade, ele me abraçou como outra pessoa recentemente me abraçou, virou as costas e foi embora.

- Ele me abraçou do mesmo jeito! A única diferença é que parou aí, mas foi o mesmo abraço.

Dando prosseguimento à série "não é porque você é minha amiga que pode sair me ofendendo e embaralhando minha já embaralhada cabeça", de jeito nenhum você pode dizer, após meu relato das esquisitices de "Mno", a seguinte frase:

- [P], presta atenção, quando você estiver sozinha, ele não vai parar, ele vai falar, está na cara.

[A parte boa é que acabei de entrar de férias e não curto o chat da badalada rede social, de modo que não ficarei sozinha com "Mno". A parte ruim é que não vou deixar de consultar uma amiga só porque ela me ofende e embaralha meus pensamentos. E a parte ininteligível é, céus, por que me peguei pensando "mas seria tão mais fácil com 'Mno' e eu fico nessa de querer o mais complicado"? Pois é]

sábado, 15 de dezembro de 2012

[A Cena]

Atravessei a Presidente Vargas e andei por toda a Rio Branco.

Aos prantos.


No caminho, um guarda municipal, um estranho com jeito de nerd, um segurança, um senhorzinho, um PM e um morador de rua, enfim, todas essas criaturas perguntaram o que estava acontecendo e se eu precisava de ajuda, mas não pude responder educadamente porque estava toda trabalhada na confusão mental e muito compenetrada em alagar a avenida, sem contar no malabarismo para segurar um vestido que teimava em voar, no meio do temporal que se aproximava.

Assim.

Só faltou trilha sonora para a ~magia~ da comédia romântica acontecer.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

[A Franja]

Acho que é a franja. Não há mais nada que explique tal comportamento, então, só pode ser a franja. 

Depois de anos tentando me convencer a cortar o cabelo daquele jeitinho super-hiper-mega-master-power curto, sem sucesso, a moça boazinha - que lava/enxágua/hidrata/lava/corta/mas não tira muito/você sabe/de quatro, homem adooooooooora puxar um cabelo/pega espelho/olha, [P], me deixa tirar só mais um pouco/desiste/pega a tesoura/ameaça me recortar em mil pedacinhos - conseguiu, quase à minha revelia, encaixar uma franja nesta minha cara de pseudoadulta, de modo que, quando vi, a pessoa estava dizendo uma franja? hein? deixa eu picotar uma franja em você? vai gostar, confia em mim, manuseando a tesoura e ignorando meu apelo de olha, não estou muito certa disso, não, toda trabalhada na ânsia de transformar meu rosto de pseudoadulta em algo mais pseudoadulta ainda, claro.

Só pode ter sido a franja que fez com que o Tiozão do trabalho decidisse que, no meio de trocentas mulheres, tinha que ser eu a escolhida para suportar suas mais infames piadinhas. Não sei, mas deve ter a ver com um desejo do seu subconsciente pela minha franja desfiada que - há! - agora justifica todo aquele meu amor por juntar o cabelo num coque bagunçado, prender displicentemente e sair feliz da vida para trabalhar. Deve dar tesão. Bom, prefiro pensar que deve dar tesão do que imaginar que estou lidando com um legítimo retardado de mais de cinquenta tons de tintura capilar anos.

[E pensar que eu só queria ouvir o linda loira que ouvi mesmo. Tiozão, definitivamente, não fazia parte do pacote, Murphy]

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

[Destruidora]

Daí que numa sala com dois aparelhos de ar condicionado eu me abanava com uma pasta, olhava para o teto e perguntava por que, para que, qual o intuito, como assim tanto calor quando, de repente, eis que surge a cereja do bolo:

- Sabe que hoje é dia das bruxas, né? - me pergunta L., do alto dos seus dezenove anos de pura sacanagem.

- Sei.

- E como você vai para casa?

- Estou esperando sua irmã trazer a vassoura dela aqui, para me emprestar.

- Poxa... - L., decepcionado, tadinho.

- O que?

- Eu só ia tentar te enfeitiçar, oferecendo uma carona.

[Destruindo corações desde milnovecentosealgumacoisa. Esta sou eu. Prazer, gente]

sábado, 27 de outubro de 2012

[Fatal]

- E quando você faz aniversário?
 
- Mês que vem. Sou de escorpião.
 
- Humm... rabo fatal.

Ra-bo fa-tal. 

Tá?

[Uma encarnação não basta para que eu dê conta de tudo que preciso ouvir nessa vida...]

domingo, 14 de outubro de 2012

["Pede Pra Sair"]

J. estava me atrapalhando. Em determinado momento, falei um "J., pede pra sair logo, anda" que, surpreendentemente, surtiu efeito instantâneo: ele parou de me atrapalhar.

Já em casa, no meio dos trabalhos que havia recolhido, eis o que encontro, assinado pelo próprio J.:


[J. tem dezessete, quase dezoito anos. Aham. Estou chocada]

terça-feira, 2 de outubro de 2012

[Tesão]

Não tinha nem meia hora que estávamos conversando, uma conversa agradável, despretensiosa, quase diria interessante a ponto de me fazer querer conversar de novo e de novo e de novo quando, de repente, ele disse um é que você me dá um tesão que, evidentemente, soterrou o m.e.u tesão pela conversa, não importando se foi alguma conjunção astral/carnal/espiritual/cerebral que conspirou para que um papo até então atraente fosse interrompido pelo tesão do moço. Soterrou.

[Agora pergunta por onde tenho andado, para encontrar um tipo assim]

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

[Surtada]

Trabalho com Surtada. Veja bem, não se trata de uma pessoa como eu, que surta de vez em quando - em situações absolutamente necessárias, claro -, mas de uma Surtada vinte e quatro horas por dia, sete dias da semana.

Ontem compartilhávamos o mesmo oxigênio: eu, uma amiga, um colega de trabalho - menino, tinha que ser - e Surtada.

Surtada brigava com um computador. Reclamava da internet, do seu time de futebol, das páginas em branco, de uma vagabunda que estava lhe devendo alguma coisa que não deu para entender, do pen drive que não abria, da dor no braço que lhe impedia de encher a cara da tal vagabunda de porrada, dos relatórios imaginários que precisava digitar e do cansaço de procurar as pedras que jogaria na vagabunda - assim mesmo, tudo junto e misturado, de modo que achei por bem esconder as tesouras que estavam dando mole sobre a mesa.

De repente, sem tirar os olhos do computador, Surtada perguntou ao colega - menino, repito - se ele sabia o que estava havendo com a máquina e o que ouvi foi um pergunta para a [P], foi ela quem configurou esse computador que me fez fuzilá-lo com o olhar, porque a) não tinha sido eu, lógico b) o problema não estava na máquina, mas dentro da cabecinha de Surtada e c) gosto muito de treinar fuzilamento quando preciso dividir um ambiente com espécies da raça masculina.

- Configurou igual a cara dela, né? - Surtada falou.

Configurei

igual

a

minha

cara.

Tá?

Não foi dessa vez, hein, Universo? Percebi logo que esperavam uma desenfreada reação da minha parte, que começaria com uma subida na mesa, um salto espetacular e um avanço no pescoço de Surtada, terminando com a galera tentando tirar o mesmo das minhas mãos. Percebi logo, Universo.

[É por isso que gasto dinheiro para ser eu diante de uma especialista num consultório, toda semana. Muita gente louca ao meu redor. Tenho que manter meu [des]equilíbrio em paz]

terça-feira, 19 de junho de 2012

[O Casamento]

Conforme acontece em todo santo ano, já começaram os preparativos para a tão aguardada festa julina do trabalho. Depois de encarnar a ladra do noivo no último evento, agarrei com espartilho e cinta liga unhas e dentes a oportunidade de organizar a coisa toda este ano, com o único propósito de nomear a minha pessoa como a noiva da festa - abolindo qualquer possilidade de haver uma amante na história, claro.

E daí que agora acumulo mais funções do que já venho acumulando ao longo deste ano? E daí que tenho que ir de loja em loja procurando os enfeites de festa junina mais sensuais bonitos que já tenham sido fabricados? E daí que perdi uma noite inteira de sono preparando uma escala que inclui desde as barracas até as músicas que vão tocar na tão fatídica ocasião? E daí que já troquei meu vestido de noiva t.r.ê.s vezes, enlouquecendo a costureira? E daí, minha gente? E daí que eu me multiplico em várias de mim tudo descompensadamente, lógico e, sem querer, pergunto no meio de uma assembleia da categoria, lotada, se já designei quem irá ficar na barraca do beijo? E daí que está faltando pertinência nas minhas colocações? E daí?

Nada mais importa, além do fato de que, naquele momento constrangedor em que os pares da quadrilha foram formados, agarrei o nome de Gostoso da Matemática como se não houvesse amanhã, colei ao lado do meu e transformei o dito cujo no meu noivo. Tudo muito simples. Bastou dizer ele é meu e pronto é o noivo ideal, vocês não acham? e ninguém se manifestou contrariamente ao matrimônio.

[Como todo mundo pode supor, estou bem. Estou bancando a noiva coerente. Estou pensando em chamá-lo para escolher as alianças tranquila. Estou planejando a nossa viagem de lua de mel para julho equilibrada. Estou super zen. Estou centrada. Estou, sim]

quinta-feira, 3 de maio de 2012

[Pistas]

Fizeram uma parceria com um órgão governamental lá no trabalho. Dentre os vários projetos que estão sendo desenvolvidos, está a oferta de alguns cursos como, por exemplo, o de fotografia.

[Já dá para supor onde este post vai chegar? Ainda não? Ok. Continuarei]

Como algumas coisas fogem ao nosso controle só pelo simples gostinho de nos deixarem com aquela sensação de que somos seres inadequados em determinados momentos da vida, fui a penúltima a saber sobre uma votação popular que durou nada mais nada menos do que q.u.a.t.r.o dias.

[Consegue imaginar onde vou chegar com este post agora? Precisa de mais pistas? Vamos lá, então]

Onde eu estava nos tais quatro dias - alguém deve estar se perguntando. Queria muito dizer que estava fazendo sexo selvagem sem parar com um macho alfa que sabe me comer como ninguém mas, olha, a verdade é que eu estava trabalhando, puxa vida. Se existe alguma coisa que 2012 já me deixou como lição é o fato de que, se acumulo funções, respeito aquela máxima que diz que não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo e desconheço o teletransporte, haverá coisas que serei a última a saber. Ou penúltima. 

Queria, inclusive, deixar registrado o meu pedido de desculpas por, inadequadamente, ter perguntado que diabos de votação era aquela que havia acontecido enquanto eu estava a) onde Judas perdeu as botas, resolvendo problemas de verbas, b) fazendo uma reunião extraordinária com funcionários de outro setor e c) participando de um seminário como representante oficial do trabalho. Totalmente absurdo o meu questionamento, vamos combinar, né?

[E agora? Deu para decifrar o final do post? Está ficando fácil, hein?]

As pessoas não sabiam que eu não sabia e, num ataque de loucura coletivo, me disseram para deixar de falsa modéstia, me deram parabéns e me desejaram sorte.

[Muito bem, agora todo mundo já sabe onde isso aqui vai dar]

Venci uma votação da qual nem sabia que estava participando. Brevemente estarei sendo fotografada, durante dois dias, por uma equipe profissional e seus estagiários-assistentes - meus subordinados, que é para a situação ficar o mais constrangedora possível -, em alguns pontos históricos da cidade, previamente selecionados pela minha pessoa. Não sei quantas caras e bocas terei que fazer, nem tampouco as roupas que vou usar. Em compensação, estou sabendo que terei o direito de possuir uma cópia do making off, veja que coisa fantástica!

Ah, sim. Parece que estão colocando a maior fé em algum tipo de poder de convencimento que possuem, de modo que acham que vão conseguir me convencer a liberar uma foto ou outra para estampar um outdoor da cidade. Coisa básica. Coisa discreta. A minha cara, hein?

[Imagine, [P], a Playboy é o limite, menina!, já me disseram. Aham. Eu sempre quis mesmo um caminho fácil que me levasse ao estrelato instantâneo. Meu sonho de criança era crescer e estampar uma capa de revista masculina para depois, no meu trabalho, discutirmos as posições que tive que fazer na hora de fotografar. Eu sempre quis ter tudo de maneira fácil, sempre fui fácil, sou uma facilitadora em potencial. É meu talento. Taí minha vida amorosa que não me deixa mentir, né?]