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segunda-feira, 8 de julho de 2013

[Meu. Deus. Do. Céu.]

"pequena carta para ser aberta em uma tarde do futuro"

"agora você pode ter certeza: não volta. o beijo não dado não tem mais sentido. o abraço guardado não tem mais motivo. o palavrão engolido não quer dizer mais nada. não volta, você cansou de ouvir, mas só agora pode ter certeza. a chuva nunca mais fez o mesmo desenho no vidro. o mar nunca mais a mesma pose para a fotografia. sua música preferida só tocou no momento certo naquele dia. o poema deixado para depois, hoje, não vale mais nada. há rimas que mofam. que perdem o significado. consegue entender? agora, acredita? não era autoajuda barata. previsão de cigana mentirosa. horóscopo de jornal vagabundo. conselho de velho morrendo. carta falsa de tarô. não volta. mesmo. e espero que na cópia desta mesma carta a ser aberta, novamente, daqui a dez anos, seja menor o arrependimento. estão lacrados os próximos envelopes. lambidos. selados. trancados, mas eu já aviso: dentro deles, o mesmo texto. não volta - tatue no braço. grude post-its. escreva com carvão pelas paredes. com as unhas compridas arranhando a terra: histórias de verdade não se rebobinam."

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

[Crisóstomo & Isaura]

De como eu me encantei por Crisóstomo:

"Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo.
Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos, metade do peito e metade das pernas, metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas.
Via-se metade ao espelho e achava tudo demasiado breve, precipitado, como se as coisas lhe fugissem, a esconderem-se para evitar a sua companhia. Via-se metade ao espelho porque se via sem mais ninguém, carregado de ausências e de silêncios como os precipícios ou os poços fundos. Para dentro do homem era um sem fim, e pouco ou nada do que continha lhe servia de felicidade. Para dentro do homem o homem caía."

De como eu me perturbei com Isaura:

"A Isaura não sabia ainda que era para que sofresse que lhe calhara ser mulher. Talvez, com sorte, pudesse ser um pouco feliz antes de morrer. Mas apenas um pouco e com muita sorte. [...]
O amor fazia com que um e outro ficassem diferentes. Não conseguia entender tal coisa.
Pensou que o rapaz tinha ido embora diferente dela. Não podia ser que o amor tornasse as pessoas diferentes assim, a menos que não fosse amor nenhum."

E de como eu caí de amores por Valter Hugo Mãe:

"O Crisóstomo foi pedir a Isaura em casamento na areia. Sentaram-se. O Crisóstomo levara uma ceira com toalha e lanche. Ela disse: sou um bocado maluca, fiquei muito tempo sozinha e talvez tenha cometido erros e estragado coisas na minha alma. E ele dizia: pois eu também sou um bocado maluco, e fiquei muito tempo sozinho, talvez tenha cometido erros e estragado tantas coisas na minha alma. Se casarmos para nos estragarmos um ao outro, talvez alguma coisa se componha. Sinto que é mais fácil ser maluco quando estou contigo. É melhor."

[O Filho de Mil Homens - Valter Hugo Mãe]

Nunca chorei tanto lendo um livro.
Nunca fique com tantos nós na garganta.
Nunca havia lido nada parecido, tão forte na sua delicadeza.

Estou completamente apaixonada, gente.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

[13.]

"Sente a presença constante de uma coisa indefinida que está demorando para acontecer."

Comprei o livro no dia em que nos vimos pela primeira vez. Comecei a ler na manhã seguinte. Já sabia que, desde então e para todo o sempre, este seria o livro que eu associaria a ele.

"Tem meia dúzia de pessoas que a gente encontra nessa vida  
que deixam uma impressão forte que nunca passa."

Antes do seu perfume, antes da sua voz, antes da sua risada, antes do jeito com que arruma o cabelo, seria o livro - afinal de contas, eu tinha certeza que as oscilações que me perturbavam teriam um pano de fundo lindo, escondido entre as páginas que devorava.

"Mas é inútil dizer palavras ao vento."

Anotei as - muitas - passagens que falavam de nós dois numa folha de caderno de menina, como fui chamada nos últimos meses.

"Eu brinco com minhas amigas que a gente tá vivendo a Era do Tá Foda."

Cheguei no último capítulo. O treze. O que começou me fazendo chorar.

"O que importa é o que resulta da atitude. Que resultado a ação da pessoa 
vai ter no sofrimento de todos os envolvidos." 

O único que está sendo adiado ao máximo porque sei que, tão logo termine de ler a última frase, eu terei chegado ao ponto final.

"Vamos tentar simplesmente não falar a respeito. [...]
 Querer saber o que um tá sentindo, o que o outro tá sentindo. 
Sei que devo parecer louca, mas falar sobre as coisas avacalha tudo para mim. 
É só dar nome que morre."

[Ao ponto final de um duplo fim]

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

[Pois É]

"Não estou apaixonada, mas me dói não ser correspondida." [Marina W]

É isso.