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domingo, 6 de janeiro de 2013

[Parada]

[Minha vida é andar por esse país preparando roteiros kamikazes, negociando diárias de hotéis, arrumando e desarrumando malas, brigando com a voz do GPS, fotografando placas como se não houvesse amanhã, abusando de cloro, sal, sol e aproveitando minhas férias, deixando as indecisões da vida moderna para serem resolvidas quando voltar]

sábado, 8 de dezembro de 2012

[Tradução]

"Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção"


[Não consigo encontrar, no meio das minhas próprias palavras, algo que melhor traduza... o tanto]

"E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar, pois o seu lugar
É o meu amor primeiro..."

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

[Primeira Vez]


[Faz tanto tempo, que estou tensa há dias, sem conseguir dormir, comer ou respirar direito, só de imaginar a proximidade de mais uma "primeira vez"]

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

[MORRO De Saudade]


Quando eu dizia o destino das minhas férias para as pessoas, algumas faziam aquela cara de quem não sabe onde fica tal lugar e, confesso, ficava muito satisfeita, porque imaginava que iria encontrar uma natureza preservada. Outras, após entenderem a localização geográfica do meu destino, perguntavam se eu ia m.e.s.m.o, numa demonstração explícita de que não contavam com a minha astúcia me julgavam uma pessoa incapaz de me virar no meio do nada.

E é bem isso mesmo. Chegar lá já é uma aventura. Experimentei duas formas de se chegar a Morro de São Paulo, partindo de Salvador - porque aventura pouca é bobagem. Super aconselho o catamarã, se você estiver com vontade de enjoar bastante balançar para lá e para cá enquanto admira, por duas horas e meia, a água cristalina, o céu, o nada, a água cristalina, o céu, o nada, a água cristalina, o céu e o nada. Duas horas e meia em alto mar, ok? Foi o que eu fiz, na ida.

Super recomendo, também, uma viagem mais longa - como a que fiz na volta -, que envolva várias etapas: de Morro de São Paulo até o que eles chamam de "Atracadouro", onde um ônibus leva até bem próximo da rodoviária de Valença. É um bem próximo que, no entanto, não se pode fazer andando, se você está com malas e afins. Então, pega-se um táxi até a rodoviária, de lá um ônibus de viagem que levará quase duas horas até Bom Despacho, onde, de novo, um catamarã faz a travessia entre Itaparica e Salvador. É tanto trabalho para chegar e sair da ilha que só me restava dizer, em todas as ligações telefônicas que eu fazia de lá, um olha, não vou embora daqui, não.






















"Ilha da Saudade". Gente, como assim? É para andar por entre as árvores enxugando lagriminhas, dia e noite, é isso? 

















Os muros de Morro de São Paulo são poesias. Neruda e Chaplin, entre outros, nos muros da ilha.





































Não há carros em Morro de São Paulo. Apenas alguns poucos veículos motorizados, segundo os habitantes, autorizados pela prefeitura. Homens e carrinhos de mão carregam as malas dos turistas pelas ladeiras, enquanto vão contando histórias do lugar. Não há poluição, não há buzinas, não há sirenes. Existe um único posto de saúde - com uma médica excelente, diga-se de passagem. Há uma igreja e o farol. Existe também a praça central, cheia de turistas argentinos opções para se comer, beber, comprar peças do artesanato local e ouvir boa música. Ao vivo. Muita música boa, por onde quer que se ande. É o Paraíso.

















O grande rochedo que é um dos cartões postais da ilha pode ser visto de pertinho, se você for uma pessoa que curte muito uma caminhada de mais ou menos uma hora, pela orla, com a maré baixa. Uma hora que provavelmente irá se estender, se você for uma pessoa descompensada que vai parar para tomar banho na água cristalina, tirar fotos de ângulos inusitados ou explicar o intinerário a turistas perdidos.



















Os animais da ilha. Eu dispensaria o cavalo, se a distância até uma das praias mais lindas onde já pus meus pés fosse menor e se não precisássemos, inclusive, atravessar mangues e rios para chegar até ela.





























As figuras da ilha. A cada noite acontecia um espetáculo diferente no centro da praça. Na única vez em que havia deixado minha câmera na pousada, um grupo de homens altos, sarados e com pouca roupa malabaristas fez um espetáculo que arrancou calorosos aplausos do público. Em compensação, pude tirar uma foto de Jack Sparrow. Sim, Morro de São Paulo tem Jack Sparrow. E um navio de piratas, claro.















Uma das atrações mais concorridas é a tirolesa, que fica no alto do Morro do Farol e corta a Primeira Praia inteira. Já bastaria pela visão que se tem de lá de cima. A adrenalina, porém, está em se jogar, mesmo que você só consiga encontrar sua coragem no último dia da viagem, literalmente. Ah, sim. Não vale encher a paciência dos meninos que trabalham no manuseio da coisa, ok? Não vale, por exemplo, questionar o porquê de não haver um item número seis para os turistas - o item que sugeriria não gritar descompensadamente antes, durante e depois do ato. 















As praias da ilha são conhecidas por números. Primeira Praia [a da tirolesa e preferida dos surfistas], Segunda Praia [a dos restaurantes com música ao vivo e dos agitos noturnos], Terceira Praia [aquela onde me apaixonei perdidamente por um vestidinho liiiiiiindo que, por custar um dos olhos da minha face, tive que deixar para trás], Quarta Praia [a maior de todas, em extensão], Quinta Praia [a Praia do Encanto, uma das mais lindas em que já estive - um encanto, de fato] e por aí vai. As praias de Morro de São Paulo e seus ângulos.





































































Pela primeira vez estive no meio do nada e me senti bem. Havia ensaiado uma ida à ilha em outra ocasião e desisti diante da possibilidade de me ver do jeito que estive: longe de grandes cidades, num local rústico e cheio de natureza por todos os lados. Quanta bobagem! Não dá para se sentir assim em Morro de São Paulo. O povo de lá não deixa. O ar puro não permite. As praias de água cristalina não admitem. O mundo de gente circulando para cima e para baixo não nos deixa pensar que se está numa ilha. É, de longe, o local que atualmente eu escolheria para ver a vida passar calmamente. É o local onde me senti profundamente triste quando se aproximou o momento de partir. É o único local que anotei no livro da minha vida com a seguinte observação: preciso voltar, voltarei mais vezes, não tem como não voltar - eu, que não gosto de repetir destinos de viagens, me rendi. Acho que Morro de São Paulo é só sensação. Não dá para explicar. É para sentir.


[Morro de São Paulo/Bahia - Janeiro de 2012]

segunda-feira, 2 de maio de 2011

[Limites]

Abri a porta da sala dando saudações e exigindo saudações pela vitória do meu time de coração. Hoje, além do chaveiro pendurado na bolsa, também ostentei uma camisa e uma canção do meu time de coração. E umas brincadeirinhas inofensivas, claro.

Parece que peguei pesado. Os coleguinhas disseram que não é porque sou menina, uma menina fofa, que não é porque sou uma menina fofa que não gosta de ser contrariada, que não é porque sou uma menina fofa que não gosta de ser contrariada e que arrasta uma legião de fãs hormonalmente perturbados, que podia ir entrando no recinto de maneira tão acintosa tal qual fiz hoje - a regra é clara, foi o que ouvi. O que me preocupa é o fato de não saber se, de agora em diante, ainda serei convocada para dar palpites ou para ir aos estádios, porque parece que passei, toda felizinha, dos limites. Não sei, mas parece que um dia o povo achou que eu tinha limites.

[Certeza que se tivesse algum torcedor do rival eternamente vice a coisa ia ficar linda no ambiente. Certeza]

sábado, 22 de janeiro de 2011

["O Vento Brinca Com Os Grãos De Areia"]

Em Janeiro, eu...

Estive em Fortaleza. Virei nativa de uma hora para outra. Comi baião de dois dia sim, dia não. Visitei Canoa Quebrada. Andei muito até chegar à fila quilométrica para tirar uma foto lá, entre o "a" e o "q". Experimentei um tal de "melão do sertão" e nos apaixonamos perdidamente. Andei pela orla de Morro Branco. Procurei ângulos proibidos para registrar as falésias de Beberibe. Comprei roupas às rendeiras e recomendei que elas aumentassem o valor daquelas peças tão logo eu saísse de suas barracas. Adquiri rapaduras. Comi rapaduras. Doei rapaduras. E descobri o seguinte: Águas Belas, colega. Tudo bem que para chegar até lá você precisa atravessar de buggy sobre uma balsa puxada pela incrível força de três sujeitos. Tudo bem que, segundo consta, a Marinha faz vistorias constantes em tal artefato de transporte e que, mesmo assim, você vai atravessar o caminho se perguntando "isso é seguro?" mas, olha, é Águas Belas. O paraíso tem disfarces. Águas Belas é um deles.













Em Janeiro, eu...

Estive em Natal. Conheci jegues e jegui. Perdi um short para Iemanjá na Praia da Pipa. Tirei todos os turistas do meu caminho na hora de fotografar o melhor ângulo da Praia do Amor e - ah, claro! amor está sempre ligado a príncipes e estes, a sapos - da Pedra do Sapo. Dei voltas repetidas no labirinto do mega cajueiro. Descobri que o Rio está comigo onde quer que eu vá e que a pressa é a inimiga da boa refeição. Experimentei a "baba de camelo", doce, afrodisíaca e, ao contrário do esperado, não saí pelas ruas de Ponta Negra me esfregando em postes obscenamente. Foi difícil definir as tonalidades de azul do mar. Contrariando as regras básicas da boa educação, eu monopolizei as tirolesas que encontrei pelo caminho, me jogando repetidas vezes em lagoas e rios. Aliás, todos me julgaram muito corajosa porque, né?, pulei em piscinas naturais em Maracajaú, enfrentei uma Pipa agitada na ânsia de ver golfinhos de perto e passei a mão num tubarão. Pois é, não me esfreguei em postes, mas alisei um tubarão, vai entender. Por fim, Genipabu. O que são as dunas de Genipabu, minha gente? E mais: o que é aquele senhor que vou chamar, carinhosamente, de kamikase? Ele deu toda uma aula teórica sobre dunas fixas e móveis, sobre a direção dos ventos etc e tal, explicando que até poderia fazer tudo sem emoção, mas que sem emoção a gente não grita, não sente o coração bater forte e não sorri no final. Não me deixou muita escolha, portanto. Quando perguntei "não vamos virar nesse buggy não, né?", ele respondeu dizendo que "não sei, né? é o terceiro ano que faço isso, pode ser que sim". Pensei, pensei, pensei e disse que, então, tudo bem, seria com emoção, porque já era o terceiro ano; se fosse apenas um ano de experiência eu ia pular fora. Super recomendo o senhor kamikase, simpático toda a vida, vinte e tantos anos de experiência nas costas, um ar seguro que não deixa ninguém sentir medo e alguns dons especiais como, por exemplo, subir em picos de areia onde eu jurava que ele não ia chegar para, depois, andar pelas laterais com seu buggy envenenado inclinado num lugar sugestivamente chamado de "caldeirão do diabo". O paraíso tem disfarces - já falei isso antes? As dunas de Genipabu também é um deles. Quem passou pela vida sem ter sentido o frio na barriga que Genipabu proporciona pensa que teve um coração batendo no peito. Apenas pensa.
























[Ceará & Rio Grande do Norte - Janeiro de 2011]