quinta-feira, 5 de julho de 2012

[Meu Mundo]

Vivo num mundo onde a bigamia é proibida as pessoas acreditam quando digo que, em virtude dos últimos acontecimentos, meu casamento na roça com o colega fuck me please do trabalho não passará de encenação e que, por isso, estarei rifando meu marido par, logo depois da festa. Neste mundo onde vivo, as pessoas costumam me levar muito a sério: tão logo anunciei a brincadeira, a mulherada entrou em polvorosa e, na tarde seguinte, apareceram os t.a.l.õ.e.s da suposta rifa. Tá? Aqui no meu mundo, as mulheres têm muitos pinos frouxos dentro das suas cabecinhas uma imaginação super fértil e, alegando que poderíamos fazer alguma coisa para que o nosso mundo seja um lugar cada vez mais maluco melhor para se viver, pensaram em investir o dinheiro arrecadado às custas da gostosura do colega da Matemática numa ação social que ajude ao próximo, àquele próximo tão necessitado de razão quanto elas, ou de coerência quanto eu - já que, né?, estou achando muita graça na coisa toda.

[Este é o meu mundo. Desculpa, sociedade]

sexta-feira, 29 de junho de 2012

[R]

Das ironias da vida.

Muitas reuniões de Centro Acadêmico, um Congresso da UNE, alguns Encontros Nacionais de Estudantes, vários debates, um monte de palestras e um coração partido repetidas vezes depois, eis que descubro que tudo caminhava, enfim, para que eu retornasse a um banco de cimento de uma universidade estadual e, em meio a palavras de ordem e gritos de protesto, sem esperar por absolutamente nada e totalmente distraída, conhecesse alguém que, sinceramente, não me interessa se é o certo ou mais um errado - mas que é, no momento, o que de melhor eu conseguiria pedir para mim.

[Se eu soubesse que qualquer pessoa que não compartilhasse uns palavrões numa passeata comigo era uma furada e que devia focar na minha própria categoria eu já teria feito isso, né, Murphy?]

terça-feira, 19 de junho de 2012

[O Casamento]

Conforme acontece em todo santo ano, já começaram os preparativos para a tão aguardada festa julina do trabalho. Depois de encarnar a ladra do noivo no último evento, agarrei com espartilho e cinta liga unhas e dentes a oportunidade de organizar a coisa toda este ano, com o único propósito de nomear a minha pessoa como a noiva da festa - abolindo qualquer possilidade de haver uma amante na história, claro.

E daí que agora acumulo mais funções do que já venho acumulando ao longo deste ano? E daí que tenho que ir de loja em loja procurando os enfeites de festa junina mais sensuais bonitos que já tenham sido fabricados? E daí que perdi uma noite inteira de sono preparando uma escala que inclui desde as barracas até as músicas que vão tocar na tão fatídica ocasião? E daí que já troquei meu vestido de noiva t.r.ê.s vezes, enlouquecendo a costureira? E daí, minha gente? E daí que eu me multiplico em várias de mim tudo descompensadamente, lógico e, sem querer, pergunto no meio de uma assembleia da categoria, lotada, se já designei quem irá ficar na barraca do beijo? E daí que está faltando pertinência nas minhas colocações? E daí?

Nada mais importa, além do fato de que, naquele momento constrangedor em que os pares da quadrilha foram formados, agarrei o nome de Gostoso da Matemática como se não houvesse amanhã, colei ao lado do meu e transformei o dito cujo no meu noivo. Tudo muito simples. Bastou dizer ele é meu e pronto é o noivo ideal, vocês não acham? e ninguém se manifestou contrariamente ao matrimônio.

[Como todo mundo pode supor, estou bem. Estou bancando a noiva coerente. Estou pensando em chamá-lo para escolher as alianças tranquila. Estou planejando a nossa viagem de lua de mel para julho equilibrada. Estou super zen. Estou centrada. Estou, sim]

quinta-feira, 24 de maio de 2012

[Bloqueio]

Como derrubar um bloqueio invisível arduamente construído há mais de cinco anos de convivência em dez atos:

1) Nomeie o sujeito de Gostoso da Matemática. Obviamente, Gostoso da Matemática terá que ser o supra sumo do local, objeto de cobiça das moçoilas e, portanto, sinônimo de dor de cabeça. Contrariando o comportamento exibicionista da sua raça, Gostoso da Matemática será sempre discreto sobre sua vida pessoal, educado no ambiente de trabalho e fingirá uma certa cegueira com relação ao transtorno coletivo que provoca no mulherio quando passa carregando suas réguas, seus equações e seu corpo moreno pelos corredores.

2) Você vai precisar de um ipê amarelo. Numa tarde ensolarada de outono, lá estará você, colando flores de papel crepom num ipê amarelo desenhado pela sua própria pessoa, numa clara demonstração de que sabe fazer de tudo um pouco nesta vida, incluindo a utilização das suas mãos para fins não lucrativos. 

3) Capriche na pose sensual enquanto estiver debruçada sobre a mesa com as mãos imundas de cola e o cabelo preso num coque feito de qualquer jeito, pois Gostoso da Matemática só aparecerá na sala quando captar que você está neste delicado momento da sua vida.

4) Gostoso da Matemática irá se aproximar e perguntar o que é aquilo que você está fazendo. Atenção - muita atenção - a este ponto: responda que é um ipê amarelo e complete com um não acredito que não está vendo que é um ipê amarelo, puxa vida. Entretanto, não fale de qualquer jeito, certo? O seu tom de voz terá que parecer severo, como se estivesse dando um puxão de orelha no Gostoso da Matemática, de modo que ele dirá, imediatamente, que não precisava responder daquele jeito e, meio sem graça, sairá da sala.

5) Climão. Seja a responsável por aquele climão que sucederá a saída de Gostoso da Matemática da sala. 

6) Com o fim do expediente se aproximando, não invente de sair antes que Gostoso da Matemática reapareça na sala para guardar suas fórmulas, sua raiz quadrada e seus parênteses no armário. Só assim você - ainda - estará colando flores de papel crepom num ipê amarelo quando a sala estiver cheia de gente e poderá ouvir Gostoso da Matemática se despedir, não sem antes acrescentar que faz questão de dizer que a árvore está ficando bonita, mesmo tendo levado um fora da sua descompensada pessoa. 

7) Engula seu deboche, explique que não havia sido um fora, repita o que dissera antes e ouça Gostoso da Matemática dizer que até parece que foi com esse amor todo na voz, foi muito mais um 'mas que porra, não está vendo que é um ipê amarelo'? 

8) Segure suas contrações, que parecerão querer te empurrar para cima de Gostoso da Matemática - tão sexy, meudeusdocéu, soltando um porra diretamente para sua pessoa -, sinta o ambiente inteiro constrangido e aguarde. Aguarde, tá? Esteja com a granada que irá derrubar o bloqueio invisível que ergueu entre você e Gostoso da Matemática na mão e aguarde.

9) Assim que Gostoso da Matemática sorrir e, em tom de brincadeira, pedir desculpas por ter feito uma pergunta tão óbvia sobre uma árvore que não podia ser outra coisa senão um ipê amarelo, solte a granada, respondendo com sua cara mais lavada que ok, tudo bem pela árvore, mas não te desculpo por existir e, ainda por cima, ser desse jeito aí.

10) Pronto. Junte os destroços do bloqueio invisível que deu tanto trabalho para ser construído, guarde-os na bolsa - no mesmo compartimento onde guarda seus comprimidos para dores de cabeça - e aprenda a lidar com o fato de que vão começar as apostas sobre qual desfecho a sua relação explosiva iniciada com Gostoso da Matemática terá.

[Seguimos fazendo tudo certo, não? Tudo certinho, uma beleza...]

segunda-feira, 21 de maio de 2012

[Luísa]

Guardada nas minhas próprias entranhas, ela queria liberdade há tempos, pobrezinha.

Ressuscitei Luísa:

http://confissoes-de-luisa.blogspot.com.br/


segunda-feira, 14 de maio de 2012

[Reclamações]

Estive pensando que talvez as pessoas tenham razão quando dizem que não entendem o porquê de eu reclamar tanto e ainda querer mais coisas da vida. Acho que elas estão certas. Não tenho motivos para reclamar. Não quando:

 a) Recebo correspondências. Quer coisa mais triste do que, em tempos de internet, não receber nenhuma cartinha? Eu recebo. O fato de que sou uma das poucas que recebem cartas me deixa um pouco constrangida, preciso confessar. Principalmente quando sei que frustrei esperanças. Posso até ver a cena: nota baixa-mãe-filho-verbo descascar. Será que vou parar de receber cartas? Isto não pode acontecer. O que seria de mim sem estas cartas, não é verdade?


b) Sou amada. Cara, sou muito amada. Jesus me ama. Sabe o que isso significa? Sabe o que é uma adolescente escrever isto naqueles minutos em que, sei lá, poderia estar... fazendo uma avaliação para nota? Olha, já andei ouvindo por aí que Jesus ama muita gente, mas agora sei que também estou no meio, faço parte do amplo grupo de pessoas amadas por Jesus e não há porque me sentir excluída - o que mais eu poderia querer da vida, me fala? 


[De fato, não dá para entender por que reclamo da vida. Agora estou entendendo tudo. Nem sei como agradecer...]

quinta-feira, 3 de maio de 2012

[Pistas]

Fizeram uma parceria com um órgão governamental lá no trabalho. Dentre os vários projetos que estão sendo desenvolvidos, está a oferta de alguns cursos como, por exemplo, o de fotografia.

[Já dá para supor onde este post vai chegar? Ainda não? Ok. Continuarei]

Como algumas coisas fogem ao nosso controle só pelo simples gostinho de nos deixarem com aquela sensação de que somos seres inadequados em determinados momentos da vida, fui a penúltima a saber sobre uma votação popular que durou nada mais nada menos do que q.u.a.t.r.o dias.

[Consegue imaginar onde vou chegar com este post agora? Precisa de mais pistas? Vamos lá, então]

Onde eu estava nos tais quatro dias - alguém deve estar se perguntando. Queria muito dizer que estava fazendo sexo selvagem sem parar com um macho alfa que sabe me comer como ninguém mas, olha, a verdade é que eu estava trabalhando, puxa vida. Se existe alguma coisa que 2012 já me deixou como lição é o fato de que, se acumulo funções, respeito aquela máxima que diz que não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo e desconheço o teletransporte, haverá coisas que serei a última a saber. Ou penúltima. 

Queria, inclusive, deixar registrado o meu pedido de desculpas por, inadequadamente, ter perguntado que diabos de votação era aquela que havia acontecido enquanto eu estava a) onde Judas perdeu as botas, resolvendo problemas de verbas, b) fazendo uma reunião extraordinária com funcionários de outro setor e c) participando de um seminário como representante oficial do trabalho. Totalmente absurdo o meu questionamento, vamos combinar, né?

[E agora? Deu para decifrar o final do post? Está ficando fácil, hein?]

As pessoas não sabiam que eu não sabia e, num ataque de loucura coletivo, me disseram para deixar de falsa modéstia, me deram parabéns e me desejaram sorte.

[Muito bem, agora todo mundo já sabe onde isso aqui vai dar]

Venci uma votação da qual nem sabia que estava participando. Brevemente estarei sendo fotografada, durante dois dias, por uma equipe profissional e seus estagiários-assistentes - meus subordinados, que é para a situação ficar o mais constrangedora possível -, em alguns pontos históricos da cidade, previamente selecionados pela minha pessoa. Não sei quantas caras e bocas terei que fazer, nem tampouco as roupas que vou usar. Em compensação, estou sabendo que terei o direito de possuir uma cópia do making off, veja que coisa fantástica!

Ah, sim. Parece que estão colocando a maior fé em algum tipo de poder de convencimento que possuem, de modo que acham que vão conseguir me convencer a liberar uma foto ou outra para estampar um outdoor da cidade. Coisa básica. Coisa discreta. A minha cara, hein?

[Imagine, [P], a Playboy é o limite, menina!, já me disseram. Aham. Eu sempre quis mesmo um caminho fácil que me levasse ao estrelato instantâneo. Meu sonho de criança era crescer e estampar uma capa de revista masculina para depois, no meu trabalho, discutirmos as posições que tive que fazer na hora de fotografar. Eu sempre quis ter tudo de maneira fácil, sempre fui fácil, sou uma facilitadora em potencial. É meu talento. Taí minha vida amorosa que não me deixa mentir, né?]