quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

[Bem feito, [P].]

Repitam comigo:

"Bem feito, [P]. Talvez um dia você deixe de ser idiota."
"Bem feito, [P]. Talvez um dia você deixe de ser idiota."
"Bem feito, [P]. Talvez um dia você deixe de ser idiota."
"Bem feito, [P]. Talvez um dia você deixe de ser idiota."
"Bem feito, [P]. Talvez um dia você deixe de ser idiota."
"Bem feito, [P]. Talvez um dia você deixe de ser idiota."
"Bem feito, [P]. Talvez um dia você deixe de ser idiota."
"Bem feito, [P]. Talvez um dia você deixe de ser idiota."
"Bem feito, [P]. Talvez um dia você deixe de ser idiota."
"Bem feito, [P]. Talvez um dia você deixe de ser idiota."

Grata.

sábado, 22 de janeiro de 2011

["O Vento Brinca Com Os Grãos De Areia"]

Em Janeiro, eu...

Estive em Fortaleza. Virei nativa de uma hora para outra. Comi baião de dois dia sim, dia não. Visitei Canoa Quebrada. Andei muito até chegar à fila quilométrica para tirar uma foto lá, entre o "a" e o "q". Experimentei um tal de "melão do sertão" e nos apaixonamos perdidamente. Andei pela orla de Morro Branco. Procurei ângulos proibidos para registrar as falésias de Beberibe. Comprei roupas às rendeiras e recomendei que elas aumentassem o valor daquelas peças tão logo eu saísse de suas barracas. Adquiri rapaduras. Comi rapaduras. Doei rapaduras. E descobri o seguinte: Águas Belas, colega. Tudo bem que para chegar até lá você precisa atravessar de buggy sobre uma balsa puxada pela incrível força de três sujeitos. Tudo bem que, segundo consta, a Marinha faz vistorias constantes em tal artefato de transporte e que, mesmo assim, você vai atravessar o caminho se perguntando "isso é seguro?" mas, olha, é Águas Belas. O paraíso tem disfarces. Águas Belas é um deles.













Em Janeiro, eu...

Estive em Natal. Conheci jegues e jegui. Perdi um short para Iemanjá na Praia da Pipa. Tirei todos os turistas do meu caminho na hora de fotografar o melhor ângulo da Praia do Amor e - ah, claro! amor está sempre ligado a príncipes e estes, a sapos - da Pedra do Sapo. Dei voltas repetidas no labirinto do mega cajueiro. Descobri que o Rio está comigo onde quer que eu vá e que a pressa é a inimiga da boa refeição. Experimentei a "baba de camelo", doce, afrodisíaca e, ao contrário do esperado, não saí pelas ruas de Ponta Negra me esfregando em postes obscenamente. Foi difícil definir as tonalidades de azul do mar. Contrariando as regras básicas da boa educação, eu monopolizei as tirolesas que encontrei pelo caminho, me jogando repetidas vezes em lagoas e rios. Aliás, todos me julgaram muito corajosa porque, né?, pulei em piscinas naturais em Maracajaú, enfrentei uma Pipa agitada na ânsia de ver golfinhos de perto e passei a mão num tubarão. Pois é, não me esfreguei em postes, mas alisei um tubarão, vai entender. Por fim, Genipabu. O que são as dunas de Genipabu, minha gente? E mais: o que é aquele senhor que vou chamar, carinhosamente, de kamikase? Ele deu toda uma aula teórica sobre dunas fixas e móveis, sobre a direção dos ventos etc e tal, explicando que até poderia fazer tudo sem emoção, mas que sem emoção a gente não grita, não sente o coração bater forte e não sorri no final. Não me deixou muita escolha, portanto. Quando perguntei "não vamos virar nesse buggy não, né?", ele respondeu dizendo que "não sei, né? é o terceiro ano que faço isso, pode ser que sim". Pensei, pensei, pensei e disse que, então, tudo bem, seria com emoção, porque já era o terceiro ano; se fosse apenas um ano de experiência eu ia pular fora. Super recomendo o senhor kamikase, simpático toda a vida, vinte e tantos anos de experiência nas costas, um ar seguro que não deixa ninguém sentir medo e alguns dons especiais como, por exemplo, subir em picos de areia onde eu jurava que ele não ia chegar para, depois, andar pelas laterais com seu buggy envenenado inclinado num lugar sugestivamente chamado de "caldeirão do diabo". O paraíso tem disfarces - já falei isso antes? As dunas de Genipabu também é um deles. Quem passou pela vida sem ter sentido o frio na barriga que Genipabu proporciona pensa que teve um coração batendo no peito. Apenas pensa.
























[Ceará & Rio Grande do Norte - Janeiro de 2011]

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

[Janeiro]

Não sei quanto ao resto da humanidade, mas sabe o que eu faço entre fevereiro e dezembro? Penso em janeiro.

Após bater os meus próprios recordes no quesito malas abarrotadas de coisas que não serão utilizadas efetivamente, a não ser para enfeitar armários de hotéis, venho por meio deste dizer que vou ali e ali, de modo que meu sumiço estará diretamente ligado à nova tentativa de bater outro recorde, o de aventuras repletas de glamour, sal, areia, sol e água fresca.

Não sei quanto ao resto da humanidade, mas sabe o que eu faço em janeiro? Gasto muito mais do que deveria, como além do que é permitido pelos santos mandamentos das boas curvas, fotografo placas que é uma beleza, imito sotaques alheios, estrago meu cabelo, abuso do sol, crio marcas, deixo marcas e vivo, colega.

[Em janeiro, eu vivo com uma intensidade de doer]

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

[Dos Excessos]

Lá estou eu, fazendo a sociável no meio de um bando de gente felizinha com a chegada de 2011. Um pequeno lapso de tempo depois, estou numa cama. Com um menino. De sete anos. Mais uns segundos depois, me pergunto em que momento aceitei jogar qualquer coisa eletrônica que fosse com aquele pequeno ser. Corta para o lapso de tempo seguinte. Estou perdendo. Perco no jogo, perco o copo que estava do meu lado, perco o pavê que estava quase na minha boca. Perdidinha. Após mais um hiato de tempo, desisto de jogar porque, né?, sou mimada e não aceito perder. Levanto da cama. O menino me chama:

- Tia [P], volta aqui. Olha o que você fez! - ele diz, apontando para a cama.

Volto. Olho. Olho de novo. Não compreendo. Penso comigo mesma nas possibilidades. O que eu poderia ter feito ali, naquela cama? Dei aulas? Contei piadas? Dancei? Bordei iniciais no lençol? Todo um desespero por não saber o que eu tinha feito, afinal de contas. Percebendo meu constrangimento, o pequeno ser diz:

- Não está vendo, tia [P]? Você afundou o colchão, você está muito gorda, tia [P]!

[Em minha defesa, quero dizer que se tratava de um colchão da era jurássica, de modo que até uma pluma afundaria o dito cujo]

Corro para a sala aos prantos repetindo o que tinha escutado, todo um drama mexicano pairando no ar. Um último lapso de tempo depois e lá estou eu na frente de um espelho, procurando os excessos que um menino de sete anos havia apontado, quando outro pequeno ser, dessa vez um de quatro anos, se aproxima e diz:

- Tia [P], não liga, não. Você não está gorda, você está é gostosa.

[Oi para você também, 2011. Já começou me deixando confusa, hein?]

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

[2011]

Esta é a terceira tentativa que estou fazendo para me dirigir a você de alguma outra maneira que não seja escrevendo "puxa, como você foi sacana comigo!" É verdade. Nas outras duas vezes comecei explicando que não tinha outra maneira de me expressar, a não ser escrevendo sobre o quanto você foi sacana comigo. Eu queria te mostrar os rascunhos, mas não acho que mereça ler além daquilo que mostro, por opção. Você foi só mais um. Mais um que acrescentei à minha vida, mais um que colecionei, mais um do qual estava louca para me livrar, para ser sincera. Agora já não sei mais se foi mesmo um sacana. Será? Por que sacana? Por tentar testar minha paciência, me fazendo chegar ao limite máximo da convivência pacífica com criaturas que nem sequer consigo chamar de seres humanos? É, pode ter sido muita sacanagem sua mesmo que, me conhecendo como me conhecia, sabia que eu não passaria num teste deste tipo. Se era para me dar algum tipo de lição, aprendi que para lidar com determinado tipo de... de... vai lá, de "gente", muitas vezes precisamos descer ao seu nível, falar a sua língua, nos fazermos entender na marra e, por fim, respirarmos aliviados por não precisar mais lidar. Viu como aprendo depressa? Não lido mais. Ou talvez um sacana porque decidiu, sem me consultar, que seria uma boa me fazer sofrer, fazer doer, fazer arder e fazer morrer? Você fez morrer. Sacana por causa disso? Acho que não. Agora, te olhando de longe, entendo que às vezes é preciso que algo morra para que outras coisas aconteçam e, embora possa parecer o contrário, eu não seria capaz de matar, não seria capaz de arrancar uma erva daninha que me sugava a alegria de viver e me deixava apreensiva sobre minhas próprias atitudes, não seria capaz de virar as costas e simplesmente ir embora. Você matou. Para onde envio meus sinceros agradecimentos por aquela morte anunciada há tempos? É, sacana, eu tenho que agradecer. Pelas noites insones, pelos travesseiros encharcados, pela cara amarrotada, pela falta de apetite e, principalmente, pelo tempo. O tempo que me deu para que eu pudesse redescobrir a alegria de respirar sem sustos. Toma, leve de volta esses meus pseudos dons premonitórios, não preciso mais deles. Metade do tempo que passamos juntos foi o suficiente para que eu contasse as horas que perdia tentando adivinhar como você achava que eu devia me comportar. Na verdade, vá embora de uma vez. Só deixe o que me interessa: as frases que me fazem sorrir, a voz que me faz suspirar, essa vontade que me come por dentro e o desconhecido que tenho pela frente. Só mesmo um falso sacana para me fazer viver seis meses achando que eram os melhores que tinha para viver e, de repente, girar meu mundo de cabeça para baixo sem que eu esperasse. Que vergonha, hein? "Tome este daqui, experimente o que é ser leve, volte a sorrir sem medo, acho que este é o seu número, menina". Posso até ver o seu deboche enquanto sussurra estas coisas no meu ouvido. Então vá embora logo, preciso te enterrar, você que fez morrer. Já estou vendo o outro ali, me olhando atrás da porta, doido para me atropelar com a pressa dos que são novos. E sabe o que mais? Está tudo tão bom que, pela primeira vez, não me atrevo a pedir nada. Vou levar comigo o que já tenho e esperar somente que aquilo que já é bom permaneça, pois sei que só poderá ficar melhor. Adeus, 2010. Não é nada pessoal, mas... você já está indo tarde.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

[Sentidos - II]

[Agora entendo o porquê de andar esbarrando em mim mesma, às cegas. Esqueci meus olhos, da última vez, sobre os seus]

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

[Receita]

Como deixar um trabalhador sem graça no meio do seu expediente ou Como "Smooth" vai destruir minha vida qualquer hora dessas:

1) Tome um banho que demore o suficiente para o moço dos Correios visitar quase todas as casas das redondezas após desistir de gritar no seu portão por alguns minutos e você não ter escutado porque ouvia Smooth no repeat embaixo do chuveiro;

2) Considere a possibilidade de sair do banheiro vestindo pouca coisa, quase nada, haja visto o calor que faz na cidade e a sua dificuldade para escolher qualquer coisa que seja no atual momento da sua vida;

3) Nomeie de "maravilhosa" a ideia de deixar a janela do seu quarto aberta devido ao calor citado no item acima;

4) Mantenha o foco e não se esqueça: você não quer aparecer nua e ser podre de rica. Repita: você não quer aparecer nua e ser... bem, talvez você queira ser podre de rica, mas não aparecendo nua. Quem sabe usando o cérebro. Não tem como? De qualquer forma, mantenha o foco e deixe a janela do seu quarto aberta, mas puxe a cortina, ok?

5) Pronto. Depois de atingir seu nirvana particular dançando pervertidamente em cima da cama ao som de Smooth repetidas vezes, você ouvirá lá loooooooooonge, quase imperceptível, a voz do moço dos Correios berrando um "moçaaaaaaaa" já cansado, exausto, apavorado, emputecido ou similares, vestirá a primeira coisa que encontrar na sua frente e irá, fazendo a solícita, atendê-lo.

A parte boa de tudo isso é que você vai poupar qualquer tipo de diálogo forçado, pois o que virá em seguida será mais ou menos assim:

- Oi, desculpa, não tinha escutado você me chamar. É para mim?
- ...
- Estou perguntando sobre esse embrulho aí nas suas mãos. É meu? Não me lembro de ter encomendado nada.
- ...
- Ok, deixa eu olhar? Nossa, parece um desses brinquedinhos eróticos, né? Um pênis, será?
- ...
- Não, colega, você errou de endereço mesmo. Esta rua é aquela que fica lá na frente, depois daquela esquina para onde mandamos todos os caras que queremos que se mantenham bem longe, entendeu?
- ...
- Por nada, imagine. Tchauzinho.

Quer coisa melhor do que não precisar interagir com uma criatura que viu sua sombra dançando Smooth como se não houvesse amanhã?

["Adorável". É a palavra que você está procurando. Sou deveras adorável, pergunte para o moço dos Correios]