quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
[Sentidos]
[Quero te ensinar a me respirar. Vou te sufocar no meio das minhas pernas]
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Curtas
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
[Da Arte De Ser Equilibrada]
Alto escalão do meu trabalho resolveu inovar nas confraternizações de final de ano e preparou uma dessas atividades grupais - ui! - cuja única função foi me obrigar a interagir com criaturas que mal vejo ou que finjo que não vejo quando desfilo simpatia pelos corredores.
[Ok, é mentira. Eu falo com todo mundo. Do pessoal da portaria até a galera dos serviços gerais. Quando estou num bom dia distribuo beijinhos, pergunto como estão filhas e netas e paro para dar autógrafos. Isto, porém, não quer dizer que estou vendo, realmente, tais pessoas. Entendeu? Interagir, de verdade, só com minha gangue, é isso]
Depois de muita interação forçada, a última atividade proposta pelos profissionais contratados para a ocasião envolvia minha exímia destreza para desenhar. Cada um ganhou um pedaço de papel do seu próprio tamanho e pediram que desenhássemos o animal que consideramos mais nojento.
Quando todos acabaram, começou um festival nonsense sem tamanho na história da humanidade. Um por um, meus coleguinhas eram obrigados a se posicionar diante do animal do seu tamanho e a dizer para ele poucas e boas, tudo o que lhe afligia, tudo o que estivesse incomodando naquele momento e nas encarnações passadas também, quem sabe.
[Numa situação dessas imediatamente eu ( ) invento uma ligação inexistente e digo que vou ali e já volto, ( ) digo, sem maiores explicações, que vou ali e já volto, ( ) digo que vou ali e não volto, (X) digo taquipariu, isso não pode dar certo, mas me mantenho sentada esperando minha vez; afinal de contas, amo muito situações constrangedoras nesta minha vida]
O que levou uma mulher a dizer para seu respectivo animal que naquele dia não estava legal porque percebeu, já no caminho do trabalho, que seu esmalte estava descascando e que aquilo lhe deixava mal ou o que levou a outra a mencionar a gravidez da amante do marido da sua vizinha querida, tão gente boa e que não merecia ser chifrada, coitadinha, como coisas que estavam incomodando é algo que transcende minha capacidade cerebral. Não sei, mas acho que os animais mereciam mais, concorda? Não, né? Enfim.
Eu? Bem, eu desenhei um rato. Pensei primeiro num sapo, mas sapos lembram príncipes e chorar em público, justamente naquele dia, não estava nos meus planos. Então, fiz um rato. Lindo, diga-se de passagem - já falei aqui sobre minha exímia destreza para desenhar? Quando fui solicitada, me posicionei diante do animal e o que soltei foi mais ou menos assim:
"Pois bem, pois bem. Aí está você, seu verme asqueroso..."
[Abstraia que o rato não é um verme, ok? Era o meu momento, abstraia]
"... Quanto tempo, não? Olha só para você, patife nojento! Não preciso utilizar todos os neurônios do meu cérebro para ver que continua na sua vidinha medíocre, comendo no seu prato fundo de nada, deitando na sua cama lotada de vazios e olhando a mesma imagem patética refletida no espelho quebrado da sua vida. Quer se olhar no espelho? Aqui na minha frente, quer?..."
[Deixa eu inserir aqui o fato de ter pedido para virar o rato de frente para o espelho do recinto, deixa? Queria mesmo que o verme se visse diante do espelho, mas o que ouvi foi um continue, [P], apenas continue]
"... E você, sua vagabunda enrustida?..."
[Você deve estar se perguntando mas não era um rato? E eu respondo: rato hermafrodita, colega! O rato era meu, se liga]
"... Acha que engana a quem com essa falsa aparência de serenidade e respeito? Acha realmente que não deixa transparecer o nível de putaria que é capaz de fazer com o próximo? E não se faça de desentendida, sua vaca, não estou falando de uma putaria a nível sexual, mas sim o tipo mais baixo de putaria que uma criatura desprezível e acomodada como você poderia fazer com alguém. Estou com pena, hein? Pena, vadia, por você ter que se encarar todos os dias nos espelhos da vida."
Terminei meu momento-desabafo, indaguei com o olhar se podia voltar para meu lugar e, depois de um silêncio sufocante, começaram uns aplausos que se multiplicaram em muitos aplausos. Puro glamour.
[Equilíbrio é t.u.d.o na vida da pessoa, fala a verdade, vai]
Depois de muita interação forçada, a última atividade proposta pelos profissionais contratados para a ocasião envolvia minha exímia destreza para desenhar. Cada um ganhou um pedaço de papel do seu próprio tamanho e pediram que desenhássemos o animal que consideramos mais nojento.
Quando todos acabaram, começou um festival nonsense sem tamanho na história da humanidade. Um por um, meus coleguinhas eram obrigados a se posicionar diante do animal do seu tamanho e a dizer para ele poucas e boas, tudo o que lhe afligia, tudo o que estivesse incomodando naquele momento e nas encarnações passadas também, quem sabe.
[Numa situação dessas imediatamente eu ( ) invento uma ligação inexistente e digo que vou ali e já volto, ( ) digo, sem maiores explicações, que vou ali e já volto, ( ) digo que vou ali e não volto, (X) digo taquipariu, isso não pode dar certo, mas me mantenho sentada esperando minha vez; afinal de contas, amo muito situações constrangedoras nesta minha vida]
O que levou uma mulher a dizer para seu respectivo animal que naquele dia não estava legal porque percebeu, já no caminho do trabalho, que seu esmalte estava descascando e que aquilo lhe deixava mal ou o que levou a outra a mencionar a gravidez da amante do marido da sua vizinha querida, tão gente boa e que não merecia ser chifrada, coitadinha, como coisas que estavam incomodando é algo que transcende minha capacidade cerebral. Não sei, mas acho que os animais mereciam mais, concorda? Não, né? Enfim.
Eu? Bem, eu desenhei um rato. Pensei primeiro num sapo, mas sapos lembram príncipes e chorar em público, justamente naquele dia, não estava nos meus planos. Então, fiz um rato. Lindo, diga-se de passagem - já falei aqui sobre minha exímia destreza para desenhar? Quando fui solicitada, me posicionei diante do animal e o que soltei foi mais ou menos assim:
"Pois bem, pois bem. Aí está você, seu verme asqueroso..."
[Abstraia que o rato não é um verme, ok? Era o meu momento, abstraia]
"... Quanto tempo, não? Olha só para você, patife nojento! Não preciso utilizar todos os neurônios do meu cérebro para ver que continua na sua vidinha medíocre, comendo no seu prato fundo de nada, deitando na sua cama lotada de vazios e olhando a mesma imagem patética refletida no espelho quebrado da sua vida. Quer se olhar no espelho? Aqui na minha frente, quer?..."
[Deixa eu inserir aqui o fato de ter pedido para virar o rato de frente para o espelho do recinto, deixa? Queria mesmo que o verme se visse diante do espelho, mas o que ouvi foi um continue, [P], apenas continue]
"... E você, sua vagabunda enrustida?..."
[Você deve estar se perguntando mas não era um rato? E eu respondo: rato hermafrodita, colega! O rato era meu, se liga]
"... Acha que engana a quem com essa falsa aparência de serenidade e respeito? Acha realmente que não deixa transparecer o nível de putaria que é capaz de fazer com o próximo? E não se faça de desentendida, sua vaca, não estou falando de uma putaria a nível sexual, mas sim o tipo mais baixo de putaria que uma criatura desprezível e acomodada como você poderia fazer com alguém. Estou com pena, hein? Pena, vadia, por você ter que se encarar todos os dias nos espelhos da vida."
Terminei meu momento-desabafo, indaguei com o olhar se podia voltar para meu lugar e, depois de um silêncio sufocante, começaram uns aplausos que se multiplicaram em muitos aplausos. Puro glamour.
[Equilíbrio é t.u.d.o na vida da pessoa, fala a verdade, vai]
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Tudo Acontece
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
["In The Dark Of Night"]
[Achei a toalha ainda molhada e com o seu cheiro de shampoo barato, perdida no meio dos versos daquela poesia tosca que eu pensava ser a mais bonita que escrevi, num janeiro calorento de anos atrás. Encontro sua toalha e nela me escondo; e quando enxugas teu rosto, sou eu que te beijo, você lembra? É claro que não se lembra. Suas lembranças de nós dois ficaram encaixotadas em algum canto escuro e mofado da sua memória. Também me desfiz de você. Sabe como é, não sabe? Você era somente o então grande amor da minha vida, não podia te carregar entre os seios eternamente. Foi assim que dobrei em pedaços tão pequenos quanto a pequenez dos seus gestos todos os desejos que mantive aprisionados entre minhas pernas e mais outros tantos que deixei escapar junto com minha saliva misturada à sua em noites regadas a álcool e estrelas cadentes. Dobrei e guardei todos eles entre as capas dos discos de vinil que colecionávamos juntos e que acabei de rasgar, uma a uma, sentada no tapete da sala à meia luz e ao som de Sweet Child of Mine, em sua homenagem. Lembra dos poderes telepáticos que dizia ter e todo aquele papo furado sobre sentir a minha raiva junto comigo? Nunca acreditei. Fazia cara de virgem indefesa e inocente porque gostava de rir da sua ingenuidade quando achava que me enganava com historinhas pueris. Você não sabia nem sentir, imagine sentir a minha raiva. Quem você pensava que era? Devia sentir o frio que estou sentindo agora enquanto rasgo What's Going On só de calcinha, com uma caneca de chocolate quente ao lado e uma imagem patética sua, daquelas que você caprichou em fazer para deixar registrada na minha memória. Eu queria rir do seu cabelo sem graça e dizer que os anos te fizeram mal. Eu queria explicar que aquela mochila surrada não estava combinando com suas roupas. Eu queria te dar um tapa na cara para cada uma das lágrimas que derramei dentro de copos com gelo. E você estragou tudo quando falou da porra da sua vida, do clima ameno e das últimas manchetes, do mesmo jeito que estragou tudo naquela noite em que te apontei uma constelação e você não soube dizer qual era, preocupado que estava em levantar meu vestido junto àquele muro. Deixa eu te contar uma coisa. Abandonei a falsa inocência pelo caminho. Joguei-a do oitavo andar quando estava na faculdade, aquela pedante que teimava em cegar meus olhos. Desde então carrego comigo a devassa que morde os lábios enquanto fala e geme com os olhos enquanto cala. By my side ainda ecoa no meu ouvido, mesmo estando longe da pista de dança e mesmo depois de anos posso repetir a entonação da sua frase quando perguntou se eu estava sozinha e se queria ficar com você, esquecedo de me contar que estar contigo era estar rodeada de incertezas, porque sempre foi medroso demais para se jogar ao meus pés e se deixar atropelar por um corpo em brasa ou para equilibrar meu coração na palma da mão e chupar meu sexo ao mesmo tempo. Você não sabia, mas eu sempre gostei de ser vertigem. E você era só um fraco agarrado ao meu corpo como se fosse sua última salvação. Eu não era, baby. Era só uma alucinação com dia e hora marcados para desaparecer. Como toda vertigem deve ser]
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[P]roibidos
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
[Se Não Fosse Trágico...]
1) Momento deixa que eu sugiro:
[Ainda por cima me jogar no mar discretamente? Não posso dar uns gritinhos, fazer acrobacias e esperar pelos flashes, não? Puxa vida, que chato]
2) Momento eu te aconselho:
3) Momento ternurinha:
5) Momento se você não sabe, [P], muito menos eu:
[Aguardamos com aflição o instante em que leremos "vou contar lá em casa que você não sabe as coisas e fica perguntando para todos nós, tá?"]
6) Momento sou vidente, dá licença:
8) Momento olha como sou engraçadinha:
11) Momento vou te deixar vermelha ao imaginar o caldo que sai do pau, [P]:
12) Momento sou trabalhado no sentimentalismo, mas ela não me entende:
[Ai, gente. Tudo tem seu tempo; oceano de amor X poça de água que logo seca; falar o que sente; respeitar e amar, porém, não conseguir mais sofrer... Que explanação mais profunda de sentimentos foi esta que brotou no verso da penúltima folha, durante os cinquenta minutos reservados a uma - imagine! - avaliação? Que coisa mais bonita de se ver, mesmo não sendo endereçada a mim. Ou será que foi escrita para que eu interceda em nome do amor e da procriação descontrolada, dando uma mãozinha para esse tal de tempo? Não sei, agora fiquei confusa. De qualquer forma, eles não sabem nada da vida mas, ó, eu assinaria embaixo, se preciso fosse]
[Se eu contasse, você acreditaria? Ela pediu desculpas pelo rompante. Você aceitaria?]
5) Momento se você não sabe, [P], muito menos eu:
[É, fofa... tomara!]
7) Momento revoltadinha:8) Momento olha como sou engraçadinha:
[Gente, eu desculpo, peloamordedeus, estão desculpadas, ok?]
10) Momento já que a resposta não vai cair do céu mesmo, deixa eu sonhar com meu casamento:
[No verso da última folha. Não gostei dos modelitos, só para constar]
11) Momento vou te deixar vermelha ao imaginar o caldo que sai do pau, [P]:
[É... bem, enfim, é isso aí. Eu me recuso a comentar sobre o caldo derramado]
12) Momento sou trabalhado no sentimentalismo, mas ela não me entende:
[Ai, gente. Tudo tem seu tempo; oceano de amor X poça de água que logo seca; falar o que sente; respeitar e amar, porém, não conseguir mais sofrer... Que explanação mais profunda de sentimentos foi esta que brotou no verso da penúltima folha, durante os cinquenta minutos reservados a uma - imagine! - avaliação? Que coisa mais bonita de se ver, mesmo não sendo endereçada a mim. Ou será que foi escrita para que eu interceda em nome do amor e da procriação descontrolada, dando uma mãozinha para esse tal de tempo? Não sei, agora fiquei confusa. De qualquer forma, eles não sabem nada da vida mas, ó, eu assinaria embaixo, se preciso fosse]
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Tudo Acontece
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
[Três]
Daqui a poucos dias farei aniversário. Ontem fui trabalhar debaixo de um sol escaldante. Não, peraí. Pensa num sol escaldante. Fui trabalhar debaixo de um sol escaldante, depois de ter acordado cedinho, ter corrido para lá e para cá e, naquele instante em que andava debaixo do sol escaldante, só conseguia desejar estar na praia. Ou em qualquer lugar bem fresco. Ou na minha cama, já servia. Mas fui trabalhar porque, né?, gosto de ser masoquista.
Aí ganhei isto:
Depois, vida que se segue, certo? Que nada. Depois, ganhei isto:
[Repara direitinho na vela, tá? Um aninho afundado num mar de chocolate. Segundo a explicação deles, era a celebração de mais um ano da minha vida. Achei digno]
Por fim, quando não esperava mais nada depois das quatro da tarde, eis que vou para a última sala e ganho isto:
[Devo explicar que, nas três vezes, não era só bolo, mas também brigadeiros, gelatina, sorvetes, pipoca, salgados, sanduíches e refrigerantes? E devo esclarecer que enfeitaram o local com bolas coloridas que a aniversariante, inclusive, fez questão de estourar junto com a galera? É, eu sei, Infância mandou lembranças]
No final das contas, tive que perguntar se meus colegas de trabalho estavam sendo bem servidos nas minhas festas. Aliás, três festas me garantiram o codinome de "A Popular" e comentários do tipo "puxa, mas isso quer dizer que eles gostam mesmo de você". Não entendi o mesmo. Ora, então alguém tinha dúvidas de que minha antipatia nata gera amor instantâneo, num efeito às avessas?
[Todos nós concordamos, a propósito, que devo fazer aniversário duas vezes por semana, toda semana, num sistema de rodízio de horários que atenda a todos os colegas. Por toda a minha vida, é claro]
Por fim, quando não esperava mais nada depois das quatro da tarde, eis que vou para a última sala e ganho isto:
[Devo explicar que, nas três vezes, não era só bolo, mas também brigadeiros, gelatina, sorvetes, pipoca, salgados, sanduíches e refrigerantes? E devo esclarecer que enfeitaram o local com bolas coloridas que a aniversariante, inclusive, fez questão de estourar junto com a galera? É, eu sei, Infância mandou lembranças]
No final das contas, tive que perguntar se meus colegas de trabalho estavam sendo bem servidos nas minhas festas. Aliás, três festas me garantiram o codinome de "A Popular" e comentários do tipo "puxa, mas isso quer dizer que eles gostam mesmo de você". Não entendi o mesmo. Ora, então alguém tinha dúvidas de que minha antipatia nata gera amor instantâneo, num efeito às avessas?
[Todos nós concordamos, a propósito, que devo fazer aniversário duas vezes por semana, toda semana, num sistema de rodízio de horários que atenda a todos os colegas. Por toda a minha vida, é claro]
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Estado Agudo De Felicidade
terça-feira, 2 de novembro de 2010
[Dons]
Desfaço qualquer tipo de trabalho.
Maltrato a pessoa amada em sete dias.[Inclusive todo aquele que tiveram para tentar me fazer acreditar em histórias mirabolantes recheadas de parágrafos desconexos cuja única função era testar minha capacidade para acreditar no inacreditável e entender o injustificável]
[Serviço de primeira. Ou então aquela porcaria de sensação de estar sendo enganada de novo, meu bem. Você escolhe]
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