domingo, 5 de maio de 2024

[Macho]

Querido diário,

Eu dei. 

Dei seta.

Dei indícios de que ia me movimentar.

Dei sinais claros de que achei o moço horrível.

Mas sabe como são os motoqueiros, né, diário? O moço, então, achou que eu não devia ultrapassar.

E por que não? Porque ele, sendo motoqueiro, como TODO motoqueiro, achou que eu devia esperar que ELE, cego, horrível e mal educado, ultrapassasse primeiro e, só depois, DEPOIS DELE, ATRÁS DELE, fizesse a minha ultrapassagem. 

Não fiz o que ele queria e fui xingada até minha próxima encarnação, mas segui minha vida aceleradamente, pois mamãe me fez princesa e princesas não batem boca com homens horríveis em plena via movimentada.

Muitos sinais de trânsito depois, vi que ele se aproximava. Eu estava parada e ele passou lentamente por mim - acho que queria que eu confirmasse o quanto era horrível em todos os seus detalhes mesmo - e achou que seria um sinal extremo de masculinidade dar uma looooooooonga buzinada. 

Na dúvida se era demonstração de virilidade ou uma criação sonora acontecendo em tempo real, resolvi retribuir com uma buzinada tão loooooooooga quanto a dele. 

Ah, vai! Não sou abusada não!

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.

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[Talvez um pouco]

Mas macho nenhum vai achar que estou fazendo algo errado quando estou coberta de razão [sempre, inclusive] e sair por aí xingando e dando bronca musical como se só ele soubesse fazer isso, diário.




sexta-feira, 26 de abril de 2024

[Boss]

Num mundo onde eu mando e tu, ele, ela, vós, eles e elas obedecem as coisas devem estar fora de órbita, não acha? 

"Eu vou me sentar perto da [P] porque ela é calma!"

"Eu te acho muito mais polida no trato com as pessoas do que eu!"

Dá para acreditar que falam isso de mim? Nem eu, caras paredes, nem eu acredito...


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

[15/10]

Sintomático eu vir aqui no dia de hoje, meu dia, para  contar que, olha, se eu sumir outra vez, do nada, é porque eu posso ter sumido, literalmente. Não terá sido falta de tempo (como, de fato, vem sendo), não terá sido esquecimento (sim, eu até esqueço que ainda tenho um blog). Eu poderei, de fato, não estar existindo mais.

Tá?

"Acidentes acontecem", foi a ameaça que recebi, por escrito. 

Sombrios. Tempos muito sombrios... Eu vou cair rapidinho, sofrer umas torturas pesadas e ~desaparecer~, já estou até vendo.

Já pensou?

Portanto, se você apoia quem defende a tortura e a matança indiscriminada, se você bate palmas pro preconceito, pro machismo, pra misoginia, se você matou suas aulas de História sobre Nazismo e Ditadura Militar, dê meia volta, ok?

Não diga que eu não avisei.

terça-feira, 5 de junho de 2018

[Eu Queria...]

Eu queria ter te contado tanta coisa, mas você não deixou. Quando pensei que o tempo pudesse ter diminuído toda aquela mágoa antiga que deixei cravada na sua alma, quando achei que te faria feliz dando, sem que me pedisse, de surpresa, o que por tanto tempo você quis, você me mostrou que não, nada mudou, tudo continua igual àquela última vez, àquela última discussão, àquela última tarde em que te acenei da janela do ônibus e foi a última.

Eu queria ter tido a oportunidade de contar que lancei meu livro e que você está nele, em linhas, entrelinhas, em páginas cheias de nós dois. Também queria dizer que estava pensando em começar outra faculdade e, adivinha?, eu comecei. Queria falar das voltas que a vida deu, a minha vida, a sua vida, essas vidas que nunca foram uma só. Se você tivesse me dado uma chance, eu teria te contado que abandonei isso aqui, mas criei um lugar novo onde recomecei a escrever. Eu queria ter te dado o endereço pra que você se visse lá também. 

Eu queria não ter estragado tudo mais uma vez, tentando te contar tanta coisa. Estraguei as memórias bonitas das nossas últimas palavras trocadas, estraguei a fantasia de que você ficaria feliz com a minha aproximação. Queria ter dito tanta coisa e o que ganhei foi a certeza de que outros dez anos vão passar e aí, dentro de você, só a mágoa ficará. 

Mas, olha, eu queria...

segunda-feira, 4 de junho de 2018

[Estranho]

"Eu acho que você é o perfil de mulher dele, sabe? O tipo que o atrai. Você entra na sala e ele não tira os olhos, fica arrumando pretexto pra falar com você, é muito estranho!"

Também acho, também acho. Acho extremamente estranho que eu consiga atrair um velho nojento com quase o dobro da minha idade que só vomita asneiras e com quem mal troco um cumprimento. Muito, muito estranho que eu, toda trabalhada no formol, atraia quem está parecendo ser meu avô. 

Palmas pra mim. Né?

terça-feira, 27 de março de 2018

[Vivíssima]

Quem é viva sempre aparece - nem que seja para dizer que deve ficar uns tempos desaparecida porque 24h não estão sendo suficientes para dar conta dos seus dias.

Nem que seja para falar com as paredes...

sábado, 7 de fevereiro de 2015

["Sorry"]

Não que eu vá desculpar nem nada - provavelmente não vou mesmo -, mas acho que um pedido de desculpas masculino deve ser, no mínimo, assim: todo trabalhado na testosterona.


[E voltar aqui de repente, sem maiores explicações, falando sobre pedido de desculpas masculino, deve dizer muita coisa sobre a minha pessoa...]

terça-feira, 29 de abril de 2014

[Do Abismo]

Eu fiz as anotações de nós dois no meu endereço de e-mail. 

Poderia ter escrito no meu diário - o diário que mantenho trancado dentro de um armário também trancado -, mas aí as anotações de nós dois se misturariam às anotações minha e dele. Eu não queria que nossa história se misturasse a uma outra história. Poderia ter escrito post atrás de post e publicado onde você não leria nunca, mas também não queria, não achava justo que outras pessoas lessem a sua história comigo quando nem mesmo você poderia encontrá-la para ler, entre um show e outro. Poderia não ter escrito a nossa história e deixado os detalhes das lembranças se perderem com o tempo, se esvaírem da minha memória e, quando sentisse falta de alguma coisa, bastaria te ligar e perguntar qualquer coisa como "lembra daquela vez? fui eu quem sugeriu o suco ao invés do café?". Eu não sei se sua memória é confiável, por isso tinha que escrever.

As anotações foram parar no meu endereço de e-mail para que, no fundo, eu possa te enviar pedaços de nós dois quando tiver vontade, quando você nem estiver esperando, quando eu quiser te fazer reviver aquelas sensações que várias vezes sentiu. 

Ou somente para nos lembrar que fui eu quem sugeriu o suco naquela noite em que precisei segurar meu vestido porque estava ventando demais, mas foi você quem se aproximou, segurou minha mão e nos jogou no abismo do qual até hoje estamos tentanto escapar...

terça-feira, 1 de abril de 2014

[Amém, Irmã]

#Escorpião: Suas emoções começam a reencontrar certo equilíbrio e a forte necessidade de mudança. NÃO CORRESPONDA A NADA QUE FOR DO PASSADO.

[Se a Irmã Zuleide disse, quem sou eu para discordar, né?]

[Regresso]

Aquela agonia, sabe?

De poder ser eu mesma e, ao mesmo tempo, não poder, porque o amigo-da-prima-da-vizinha-do-meu-ex-professor-que-é-amigo-da-tia-de-uma-subordinada-que-eu-acabei-aceitando estão lá, todos lá, todos assim, meio embasbacados e pronto, eu me descabelo porque quero ser eu mesma, mas de um jeito anônimo.

Foi quando lembrei disso aqui, tirei a poeira, troquei as coisas de lugar e aquela agonia, sabe?

Ufa. Passou.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

[Da Internet]

Essa internet é uma coisa muito intrigante.

Desde que criei, há um ano, um perfil na badalada rede social onde não faço outra coisa a não ser eu mesma, as pessoas listadas como "Amigos" - parentes, colegas de trabalho, ex-professores, colegas da época da escola e da faculdade, ou seja, pessoas do meu mundo "real" - de vez em quando se surpreendem com o que escrevo. É óbvio que me espalho em linhas e entrelinhas por lá também. Tomo um certo cuidado para não CHOCAR mas, sim, sou eu mesma, no que escrevo e no que insinuo. Acho que não sabiam o tamanho do meu amor pelas palavras e qualquer coisa que eu publique vira um acontecimento. É um pouco da [P] que vai comigo para onde vou, mesmo que eu queira deixá-la aqui, quietinha, no seu canto.

Em contrapartida, desde que entrei no mundo dos blogs, tive vontade de conhecer muitas pessoas pessoalmente. Com uma dessas pessoas - dono de uma escrita poderosa que eu acompanhava em seus dois blogs - cheguei até a conversar pela internet. Há meses comecei a seguir uma página na badalada rede social e qual não foi minha surpresa ao constatar que o dono da página é o mesmo dono da tal escrita poderosa de tempos atrás. Sua página virou livro. Ele virou alguém de carne e osso. Eu saí da internet. Virei eu mesma e nos encontramos na sua noite de autógrafos.

[Essa internet é uma coisa muito, muito intrigante. Por mais que eu queira me desapegar, vai ter sempre algo me mostrando que, olha, [P], coisas maravilhosas podem até acontecer, a partir daqui...]

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

[A Buzina]

Quando eu estava prestes a entrar no carro, ele passou e buzinou. Não entendi nada. Quando parei no mesmo sinal em que ele já estava parado, ele buzinou. Olhei. Achei que, sei lá, eu pudesse ter esquecido minha porta aberta. A porta estava fechada e então comecei a entender. Novamente tivemos que parar em outro sinal, lado a lado. Ele buzinou. Entendi perfeitamente. Eu tinha que entrar numa rua, dei seta e ele, que estava na minha frente, foi para o lado e buzinou, fazendo sinal com a mão para que eu passasse. Parei no último sinal e ele ia seguir em frente. Seguiu mas, ao passar por mim, buzinou pela última vez. 

Podemos concluir, após tanto barulho de buzina que a) existe todo um código de flerte baseado no efeito sonoro da buzina dos carros; b) eu aprendo as coisas muito depressa; c) eu aprendo de tudo um pouco muito depressa e isso inclui entender significados de buzinas e d) como tenho que fazer aquele trajeto, àquela hora - e ele, pelo visto, também - quase todos os dias da semana, certamente virarei PhD em decifrar o que cada buzina quer dizer. 

[O que vou fazer com isso na minha vida é um grande mistério ainda não desvendado]

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

[...]






[Não preciso escrever mais nada. É muita bomba, é muito gás, é muita violência, é muita covardia. É isso]

terça-feira, 24 de setembro de 2013

[A Mais]

Essa minha vida de grevista já me rendeu uns empurrões, umas discussões, uma aparição na televisão - aposto que você não viu! - e DOIS QUILOS a mais.

Segundo minha professora de Pilates, os tais DOIS QUILOS correspondem a um ganho de massa muscular - que ela faz questão, inclusive, de mostrar onde está situada -, e não a gorduras localizadas [ou perdidas] no meu corpo.

[Só vendo para crer, irmãos!]

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

[Infernizar]

Estou lá, discordando do andamento das coisas, me posicionando enquanto o bando de colegas lesados permanece num silêncio constrangedor, explicando o porquê das minhas divergências e à espera de um puxão de orelha do meu chefe. Estou nessa há dias.

E o que recebo? Hein? Um e-mail do chefe, no qual ele diz que, de certa forma, mereço parabéns e que "infernizo" - assim, com aspas e tudo, como se eu não pudesse entender o sentido figurado - mas, mesmo assim, ele gosta do meu jeito.

[Não é por nada não, chefe, mas... eu também... eu também]

;)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

[Lembrete]

Só para lembrar:


Tá?

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

[Da Insistência]

Eu tinha que levar uns livros para o carro. O estacionamento fica a uma distância considerável do prédio onde trabalho - distância esta que parece muito maior quando se está carregando duas coleções de livros que precisam ser avaliados o mais rápido possível.

[Um beijo, editoras do meu Brasil que nos enviam exemplares enlouquecidamente, numa disputa que, evidentemente, seria mais facilmente resolvida se nos enviassem passagens para Paris como brinde linda de se ver]

Eu tinha levado um casaco, que havia ficado dentro do meu armário. No meio do caminho comecei a sentir frio e me encolhi como pude, de um jeito assim bem meigo - um jeito de quem está com frio e precisa andar com oito livros até o distante estacionamento do trabalho.

Ao me ver em apuros, ele apressou o passo na minha direção, tirou o casaco, colocou-o sobre meus ombros e pegou as coleções, levando o peso até o carro, para mim.

Poderia ter sido um colega de trabalho, mas era um menino com quem trabalhei em 2009, que agora está muito mais alto do que eu, ostenta uma barba, um outro tom de voz e que, no entanto, cultiva a mesma educação de outros tempos.

[Dá gosto de ver meninos virando HOMENS, de verdade. É por esses meninos - e meninas igualmente promissoras - que eu insisto. Deve haver uma luz no fim do túnel ainda...]

domingo, 28 de julho de 2013

[Descanso]


[Aleijadinho, frio, pão de queijo, descanso e saudade...]



terça-feira, 16 de julho de 2013

[Três]

Três anos.

E eu lembro das palavras ditas, do que não foi dito, do que estava óbvio, do que eu não estava percebendo, dos sons, do silêncio e do que virou inesquecível.

Para não entoar o mantra das lembranças infinitamente, estou me ocupando com Virginia Woolf e Candy Crush Saga. 

[Todo um esforço psicológico em prol das prioridades...]

quarta-feira, 10 de julho de 2013

[Descoberta]

Descobri o meu problema!

*pausa estratégica para a necessária preparação psicológica que antecede qualquer revelação bombástica*




















É o seguinte: segundo uma de minhas melhores amigas, o meu problema fundamental, o crucial, o que me faz ser do jeito que eu sou - seja lá o que isto signifique para ela - é que não tenho bunda.

Veja bem: às vezes eu não tenho dinheiro; nunca tenho controle sobre minhas crises intempestivas; juízo também não trabalhamos; freio na língua - e o do meu carro - eu nem sei do que se trata... de modo que não tenho um monte de coisas que, aparentemente, deveria ter pelo menos um pouquinho que fosse, MAS o meu problema maior é que não tenho bunda para mostrar, de acordo com a observação dela.

[Acabei de destruir toda e qualquer construção imaginária positiva sobre a minha pessoa, eu sei]

No meio de mais uma conversa da infinita série "por que não enxergam o meu valor?", Amiga vociferou sobre esta mania que eu tenho "de ser inteligente, de usar o cérebro e de ser exigente, quando o que conta mesmo é uma bunda de respeito". Terminou seu monólogo - eu fiquei quietinha, tentando tirar alguma lição sadia daqueles pensamentos - afirmando que meu problema é que desejo um milagre, quando o ideal seria usar mais a minha bunda. A frase de efeito apareceu na forma de uma enigmática provocação, quando ela soltou algo como "mas é uma merda mesmo; deus, às vezes, até dá nozes a quem tem dentes, mas tem preguiça de mastigar..."

[Profundo, hein? Eu achei super profundo, não consigo achar nada menos do que isso. Bem. Talvez profundo e totalmente sem sentido. Enfim]

Estou processando estas informações ainda. Com muita calma, a coisa é lenta mesmo. Não é fácil, para mim, fazer um exercício mental de causa e efeito que envolva bunda-mastigar-nozes-dentes-preguiça e não neurônios-conversas-inteligência-olhares-sorrisos.

[Alguma coisa me diz, porém, que venho fazendo tudo muito errado nos últimos tempos...]